Mostrando postagens com marcador Concursos do passado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Concursos do passado. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Amor cortês


        Eu quero um amor cortês
        Um amor que consuma a minha alma
        Que seja um paradoxo
        Para que todos batam palmas

        Proibido e elevado
        Humano e sublime
        Passional e disciplinado
        Um benigno e um crime

        Quero alguém que me conquiste aos poucos
        Que me abrace a cada dia
        Que levante o meu humor
        E conceda algumas alegrias

        Que me admire todo dia
        Que me queira a cada instante
        Que siga a teoria
        De um amor constante

        Que de mim se aproxime
        E aceite o desafio
        De subir tão alta montanha
        Tão íngreme

        E quando estiver no topo
        Poderá vir falar comigo
        Enamorar um pouco
        E nos despedimos

        E assim por diante
        Até que não aguente
        E mande uma carta
        Com o seu nome no remetente

        Não segurarei minha alegria
        As lágrimas virão a escorrer
        Serei sua dama aflita
        Até termina-la de ler

        “Minha querida Donzela
        Todos os dias a vejo
        Tento manter a cautela
        Mas muito a desejo

        Gostaria de lhe contar
        Sobre o meu amor imenso
        Estou apaixonado
        E agora eu peço

        Minha querida flor
        Responda aos meus apelos
        Encontre-me às sete horas
        No arvoredo”

        E ali me encontro
        Esperando o meu amor
        Que as metas cumpriu
        Que me cortejou

        E sem mais delongas
        Vamos conversar
        Apenas de mãos dadas
        Iremos andar

        Estou quase acabando
        Mas do beijo tenho que contar
        No final da noite
        Eu não ia lhe desapontar.

P.S: Dia dos namorados chegando... Felicidades aos casais, e que eu arranje um namorado até lá. =D

Pauta para Blorkutando, 141ª edição. Tema: Livre.
Pauta para Suas palavras, 8ª edição imagem. Tema: foto.
Pauta para Atrás do pensamento, 2ª edição de poesia. Tema:namorado Livre

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Rastro brilhoso


   Ela pulou do cais, esparramou um pouco de água perto do seu sapato de festa. O par ficou ali, parado, era coberto de paetês e purpurina branca. Acabara de sair de uma festa à fantasia onde ganhou o título de rainha.
   Distraída como ela é, esqueceu do tempo com o seu namorado das águas tranquilas do cais. Sua irmã correu, e antes que pudesse chamar o seu nome olhou para os sapatos. Com muita cautela ela pôs os pequenos pés no par, admirando o quanto estava bonito, mesmo estando muito desproporcional.
   Andou um pouco, a purpurina se espalhou pelo cais; alinhou os sapatos e olhou ao longe. Ela queria correr, contar para a mãe que já tinha idade suficiente para sair e andar com os sapatos de salto alto. Não se importava com o tamanho, queria crescer e desejava profundamente ser tão bonita quanto a irmã mais velha.
   Ao olhar para a água, viu que a sua irmã subia as escadas de volta ao cais, e como se fossem seus, correu ao vento noturno deixando o rastro de purpurina.

Pauta para Mil Palavras, 32ª edição. Tema: Imagem.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vozes pacificadoras


   Já era noite quando saí de casa e decidi ir ao cemitério. Ando escutando vozes, elas me dizem para seguir em frente e não olhar para trás. Eu não entendo a razão, mas o desconhecido vem me acompanhando desde muito tempo.
   Não é fácil para mim aceitar que os meus pais se foram, que meus amigos passaram a me ignorar, que sou uma bolsista no colégio e que ouço vozes ao entardecer. Os que eu chamava de amigos passam diante de mim e se mostram superiores, com suas roupas da moda e seu palavreado inteligente. As vozes não me abandonam, elas estão aqui comigo, orientando-me para o caminho certo, para a liberdade.
   Noite estranha foi a passada, eles ainda não tinham me visitado, então chorei. Foi um choro de gritos e soluços, foi um choro pior do que no enterro dos meus próprios pais. Percebi que eu dependia deles, do consolo que me davam, da esperança de um novo dia. Não quero depender de ninguém, mas agora eles fazem parte de mim.
   O entardecer está chegando, não vejo a hora de ouvi-los em meus pensamentos, sentir que falta muito pouco para libertar-me. Tenho dúvidas sobre de que eu estou fugindo, pois é isso que me parece. Esses anos eu tenho me confessado a seres estranhos que eu nem sei o que são, mas eu confio neles, cegamente.
   Eles chegaram. Rondam o meu quarto sem pedirem licença, mas são como amigos de infância. Eles me dizem para não ter medo, que os próximos dias serão o meu juízo final, e que serei julgada por um ser muito maior que eu. Não acredito em Deus, e eles não querem que eu acredite, eles só me fazem refletir sobre o que realmente eu quero e preciso neste momento.
   Ouço um grito, longe e desesperador. Meu coração pulsa, sinto-me aflita e nem sei quem está em apuros. Vejo um menino pela janela, não muito novo, na idade em que eu largava as bonecas. Ele corre entre as árvores e grita pelos pais, e como um raio de luz ele desaparece em frente aos meus olhos. Não vejo mais as pegadas no quintal, não ouço mais os gritos e não sinto a presença das vozes. Adormeço.
   O sol cega a minha visão, e a janela está meio aberta. A brisa do outono enche os meus ouvidos e eu posso ouvir o canto dos pássaros, e hoje já o admiro. Um sorriso surge em meu rosto, questiono-me sobre a noite passada e não me lembro de nada, absolutamente nada. As escadas rangem com os meus passos pesados, e sem pensar, abro a porta da frente e me jogo na grama a rolar. Estou feliz, completa.
   Não estou interessada em preocupar-me com o colégio, meu bom dia está mais espontâneo a cada pessoa que cumprimento na rua. O som do sinal preenche os meus sentidos, e como de clichê nunca ocorrido em minha vida antes, Kaio derruba todos os meus livros no chão. Ouço vagamente a voz que me diz:
   - Seja feliz, Julie.
   E sem mais delongas, apresento-me ao gentil garoto que me ajudava a recolher os livros espalhados pelo chão. E indo em direção à sala, ele me convida para um almoço juntos, e em meus profundos pensamentos eu estou dizendo a ‘eles’: “obrigada”!
Pauta para In verbis, 14ª edição. Tema: Frase em itálico.

sábado, 21 de agosto de 2010

A impunidade é a mãe de todos os crimes


   As nossas cicatrizes têm o poder de nos recordar que o passado foi real, mas é difícil dizer se aprendemos a lição. Também é difícil dizer qual foi o erro que cometemos para sermos punidos, e sim, sempre culpamos os outros por nossas ações, algumas pensadas e outras simplesmente realizadas. Mas não é difícil dizer –para si mesmo- quando está errado.
   É pelo medo que nos consome que não conseguimos impor a nossa culpa, mas é pela impunidade que realizamos tudo o que nos arrependemos. A impunidade é a mãe de todos os crimes, quando sabemos que não seremos punidos, realizamos ações que temos a clareza que serão ruins.
   Quando atestamos a inocência, na maioria das vezes, é porque temos medo de ser punidos. Vemos a violência sendo praticada em todo o lugar e a razão para tudo isso nunca foi muito bem desenvolvida em uma tese. Então eu vou dizer: a violência é sempre praticada quando pensamos que tudo ficará no escuro, não temos medo de machucar o outro, pois o que ele pode fazer? Tudo o que é praticado aos olhos dos outros é apenas esquecido pelos espectadores, ninguém quer ser testemunha, correr riscos. É por isso que a violência cresce cada vez mais, ninguém tem mais a coragem de denunciar, e eu posso dizer que nem eu; quantas vezes fiquei com medo de acontecer alguma coisa comigo ou com a minha família. Prezamos o nosso bem estar -e em um ângulo isto está certo-, mas o bem estar do outro que está sendo violentado está reprimindo-se.
   Restam-se pegadas estranhas nas ruas, sapatos vazios e a sombra do medo, o grito que escoa pelos becos e fazem todos fecharem os seus olhos. Temos medo de dizer: isso não acontece só com o outro, você pode morrer! E não escondemos a palavra que tanto nos aterroriza: “morrer”. Os mais corajosos, que não tem medo da morte, quando se vêem face a face com ela, rendem-se.
   Não pensamos quantos sapatos vazios foram deixados pelas ruas da impunidade, quantas sombras ainda vagarão por este mundo cometendo atrocidades com almas inocentes, e outra culpadas. Não deveríamos desejar o mal a ninguém, não deveríamos sentir a vingança correndo pelos nossos pulsos, não deveríamos ter seguido o conselho da cobra para comer a fruta proibida.
   Nossos erros vêm de muito longe, e pensamos que eles não podem ser concertados, e estamos certos. As almas que foram tomadas não podem voltar aos seus corpos, as lágrimas derramadas pelas famílias não podem retroceder. Nós temos escolhas, e aqueles que acreditam no contrário estão escolhendo, possuímos a escolha de não escolher, a escolha de ignorar, a escolha de seguir em frente e a escolha de mudar. Enfim, depois de todas as ruas estarem limpas com a chuva que caiu, eu pergunto: qual é a sua escolha?
--


Pauta para Palavras Mil, edição. Tema: imagem.
Pauta para OUAT, edição. Tema: frase em negrito.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lulu e as flores do meu jardim




Fotografia para Bloínquês, 13ª edição fotográfica. Tema: Flores
Fotografia para OPEP, edição câmera em ação. Tema:Animais de estimação.


VOTE AQUI!

sábado, 17 de julho de 2010

Janela de vinil


   Ela olhava imóvel para o teto branco, parecia estar congelada no tempo. Ouviu estalos na janela e seus movimentos foram tão rápidos que uma pedrinha quase a atingiu, batendo na cama e pulando.
   - Rapunzel, jogue suas tranças! – Brincava o rapaz na calçada, com um punhado de pedrinhas na mão esquerda enquanto protegia os olhos do sol com a direita. – Você não vai jogar; Rapunzel?
   - Como seria bom se eu tivesse tranças tão compridas neste momento. – Ela suspirava enquanto apoiava seu cotovelo na janela. – Estou tão feliz em te ver.
   - Como não estaria? Faz três dias que não me vê! Estou com saudades da minha namorada.
   Ela o olhou com um ar triste, fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente.
   - Eu estou de castigo. – Ele arregalou tanto os olhos que teve que se virar de costas para o sol.
   - Mas menininhas de oito anos ficam de castigo, você tem o quê? Dezoito anos? – Ele mexeu com os dedos como quem fazia contas.
   - Pode diminuir dez anos na minha idade; parece que a minha mãe não se importa com isso.
   - Amélia, por favor. Você tem que descer!
   - Como? Você quer que eu pule da janela? – Ele deu um sorriso de lado. – A não! Não vem que não tem!
   - Por favor, por favor! – Ele se ajoelhou e implorou. – Eu te pego aqui em baixo.
   - Eu vou tentar; por você!
   Ela olhou a altura repetidamente; apoiou as mãos na janela, respirou fundo e passou a perna esquerda. Balançou a mão para o namorado que sorriu, com os braços abertos para segurá-la. Ela passou a perna direita, se fixando no telhado. Seu pé escorregou. Desceu tão rápido que nem conseguiu gritar, quando abriu os olhos estava deixada sobre Tom.
   - Tom, você está bem?
   - Acho que quebrei uma perna. Mas com um beijinho sara.
   Ela se aproximou e o beijou. Na testa, depois nas bochechas e lhe deu um beijo doce nos lábios. Ele suspirou com os olhos ainda fechados.
   - Acho que você deveria morar em uma casa com janelas mais baixas.
   - Eu vou falar isso com a minha mãe na volta!
   Eles sorriram, e ainda no chão, beijaram-se novamente.

Pauta para How Deal, 2ª edição. Tema: Imagem do texto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O meu sol

Eu quero a verdade, quero que ela seja pronunciada em alto e bom tom. As pessoas escondidas atrás de máscaras não conhecem o sentido da verdade. As palavras podem ser usadas de várias maneiras, mas sempre haverá verdades escondidas nas entrelinhas.
Eu quero que o céu desabe, em uma chuva sem fim. Que as nuvens escureçam e façam o sol implorar para brilhar. Eu não desejo que a verdade seja um fardo, eu quero o impossível, aquilo que paramos para contemplar e perceber que nada importa, além de ser verdadeiro com você mesmo. A verdade é uma coisa bela e terrível, por isso deve ser tratada com grande cautela.
O tempo faz as pessoas se afogarem em suas próprias mentiras, faz a morte acontecer e as lágrimas rolarem. Sinto o tremor do chão que não se move, o mesmo chão que um dia esparramou as lágrimas que derramei. Todos sentem medo da verdade.
A morte é um momento instantâneo de sua passagem para outra realidade, a verdade fica presa, amarga. Ela sufoca e pressiona todos os sentimentos, ela causa uma reviravolta onde as mentiras são aprofundadas e seu ser morre a cada segundo.
A verdade está nos os olhos de quem sente. A imensidão do mundo em que vivemos suporta imensas mentiras que matam, mas continuamos respirando. Talvez uma grande parte do mundo não sinta, tenha perdido os sentidos pelo caminho da maldade. Eu só tenho uma certeza, que me atormenta muitas vezes ao dia e que me faz escrever o que não vem da minha cabeça; mas sim do coração: eu sinto.



Pauta para Once Upon a Time, 53ª edição. Tema: Frase em negrito.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Detalhes

   Você está na sala de aula e tudo começa a girar ao seu redor. Você olha o quadro verde e percebe que a velocidade da luz é infinita e invisível aos olhos, e que talvez, as dimensões paralelas não estejam tão longe de você.
   Um simples movimento com os dedos na parede colorida faz despertar uma idéia. Suas pupilas dilatam e você para de respirar por alguns segundos. Então seus dedos deslizam pela parede a fazer movimentos nunca imaginados.
   Estrelas cadentes, planetas, meteoros se colidindo e estrelas explodindo para gerar uma nova galáxia. A imaginação percorre todo o pequeno espaço que se utiliza da parede.
   Parece não ser real quando se percebe que nada está marcado. Todos estão na sala, olhando para seus respectivos materiais, e a parede continua ali, intacta. Então você volta sua mente para a realidade, e a sua pupila dilata novamente quando tudo vem à tona.
   O papel rabiscado é a comprovação disso, pelo simples fato de ter uma imaginação fértil.

--

P.S.Texto escrito enquanto fazia a prova de história, ontem. Eu estava muita atenta na parede para perceber que mais uma vez minha pupila havia dilatado. Foi nisso que deu!

--

Pauta para OPEP, edição In colors. Tema: livre!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Adeus não é o suficiente


   Quando abri meus olhos, deparei-me com o meu maior medo: o escuro. Meus olhos estavam vendados, mas eu sabia que estava em uma pequena sala, talvez um armário. A minha respiração estava quente e a cada suspiro meu fazia um eco soar.
   Reorganizei os fatos em minha cabeça, pelo menos tentei. Não me lembrava de nada do que tinha ocorrido, até sentir uma forte pontada na cabeça e algo escorrendo no meu rosto; eu estava sangrando. Meu coração acelerou e pensei nas piores coisas, mas eu não conseguia me manter acordada, estava latejando muito. Eu adormeci num sono dolorido.
   Acordei a gritos, escutava vidros quebrando, batidas nas mesas e cadeiras sendo arrastadas. Sentia a vibração no pequeno armário de pisadas fortes subindo as escadas, pensei em fingir que ainda estava desmaiada da noite anterior, mas a porta me manteve acordada.
   Recebi uma batida na cabeça, e pelo peso pude perceber que era a porta. Senti o ar frio entrar e a presença de alguém, mas não ouvi vozes, tudo se calou. Pela venda que cobria os meus olhos, percebi que já estava de manhã. Ele puxou o meu braço e me levantou, meio desengonçada pela pancada na cabeça. Colocou-me nos ombros e desceu as escadas que pareciam não ter fim. Ouvi uma voz conhecida e meu coração acelerou, tentei falar:
   - Mãe?
   O silêncio foi profundo no cômodo onde estávamos, ninguém estava falando mesmo, mas o vento parou de assoviar e as folhas não se encontravam mais para dar um fundo de natureza; eu só ouvia o som do meu coração batendo. Ela me tocou, sei disso pela suave mão que me acariciava todas as noites depois das histórias de dormir. Ela respirou fundo, senti que queria chorar, engoliu seco. O homem me pôs no chão e falou calmamente com ela:
   - Ela é inteligente, não?
   - Por que a minha filha, Dante?
   - Nossa filha, você quer dizer.
   Comecei a respirar muito rápido, estava sem fôlego. Pelo que eu sabia a voz do meu pai era diferente, e ele nunca me faria mal. Dante se virou e voltou o olhar para mim, pois ele me deu um chute na perna.
   - Não faça nenhuma besteira.
   - Dante, é a nossa filha, não a machuque!
   - Agora é nossa? Eu nunca vou perdoar você.
   - Dante, não!
   A minha mãe gritou, eu não podia fazer nada. Ouvi os passos na escada e o som da sua voz me deixando, ele estava levando-o. Alguns minutos depois ele desceu e me carregou. Jogou-me no canto do quarto e tirou minha venda, meu sangue escorria pela parede branca do quarto de minha mãe. Ela estava jogada na cama, desacordada.
   - Preste bem atenção nesta cena, grave-a na sua memória. É a última coisa que se lembrará de sua mãe.
   Eu não conseguia falar, ele subiu o vestido de minha mãe e acariciou suas pernas, volte e meia olhava para mim, se certificando se eu estava assistindo. Eu não queria ver o que ele faria com ela, pois eu sabia que não seria algo bom.
   - Ela não fica linda dormindo?
   Uma lágrima percorreu minha bochecha quando ele tirou a calcinha dela, olhou para mim e sorriu. Ele abaixou as calças e a estuprou na minha frente. Tentei fechar os olhos algumas vezes, mas quando ele percebia, parava a ação e me provocava com insultos a minha família. Quando ele se satisfez e parou o estupro, ele olhou diretamente em meus olhos.
   -Será que a filha é tão boa quanto a mãe?
   - Não, você não vai me tocar!
   - E quem vai me impedir?
   Eu gritei alto, o mais alto que pude. Ele me jogou na cama e foi me despindo, enquanto eu tentava me arrastar para fora. Ele segurou meus quadris e me olhou, seus olhos eram medonhos e eu não tinha mais escapatória. Ele me estuprou como fez com a minha mãe, várias e várias vezes. Eu havia perdido a minha virgindade. Ele parou e me olhou, tinha um olhar de glória.
   Quando as lágrimas escorreram, eu percebi a enorme poça de sangue na cama, do meu sangue. Eu gritei com toda a força das minhas cordas vocais pedindo ajuda. Meu sinal sumiu no ar, andou para longe e jamais encontrou ouvidos. A última coisa que vi foi o seu vulto antes de fechar os olhos e estremecer, esperando a morte.
--
Pauta para Once Upon a Time, edição da gincana. Tema: Frase em negrito com terror psicológico.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um dia, elas não verão o céu


   Ás vezes eu paro para observar o comportamento das pessoas. Tento decodificar seus pensamentos os quais tenho certeza que são totalmente diferentes dos meus. Ás vezes me pego olhando o nada, o que me acalma.
   As luzes estão tão longe que nem ofuscam a minha visão, e eu ainda posso ver o céu. Céu esse, que não possuiu estrelas; pelo simples fato das luzes –as mesmas tão longe do meu alcance- ofuscarem os seus brilhos.
   Eu me sinto privilegiada por poder contemplar a visão da cidade, mas me sinto totalmente perdida sabendo que um dia nada disso existirá. Um dia as pessoas brigarão pelas coisas mais simples da vida, cometerão injustiças pelo seu próprio bem e destruirão bens em comum para sobreviver.
   Os prédios crescerão, as ruas ficarão estreitas, os carros disputarão espaço entre as minúsculas calçadas. As pessoas roubarão com mais normalidade, o índice de morte sobre poluição será a notícia dos jornais e o lixo consumirá toda a beleza que um dia existiu.
   As luzes se apagarão, e esta cidade virará ruínas. As estrelas brilharão, mas não haverá uma só alma para vê-las sorrindo. Talvez elas se sintam sós, talvez não. Talvez elas percebam que para brilhar foi necessário o extermínio da raça humana.
   E agora percebo, que a culpa não será delas; será só nossa. Aos poucos, nos mataremos por coisas banais, e logo depois por riquezas. O mundo ficará pequeno para tantas pessoas e os prédios tomarão conta do espaço.
   Antes de tudo acabar, já passando do ponto de equilíbrio e no final da geração; as poucas almas que sobreviverão serão esmagadas pela sua consciência, ao passar pelas estreitas ruas e só ver janelas vazias.
   Nas ruas não se verá mais a luz do sol, das janelas dos prédios não se verão às pessoas, do alto dos edifícios não se verão mais as estrelas. Um dia, nós não veremos mais o céu.

--

P.S.: Eu acho que este foi o melhor texto que já escrevi, e sim, eu acho que a população vai crescer desenfreadamente e um dia, não haverá espaço para todos. Tive uma reflexão com o meu pai, onde há 44 anos só havia mato em Duque de Caxias. Hoje, cada vez mais prédios são construídos e não haverá ruas suficientes para todos os carros. O que eu quero dizer é que um dia -e ele não está muito longe- as pessoas não vão conseguir sair de casa e nem conviver consigo mesmas.

--

Pauta para Bloínquês, 23ª edição. Tema: Foto do Texto.
Pauta para Sílaba Tônica, 5ª edição tema da semana. Tema: O futuro do planeta.

Você fez alguém feliz?


Hoje eu me perguntei: “o que você está sentindo?”. Eu penso que esta questão me fez refletir sobre muitos atos em toda a minha vida. Disseram-me uma vez que quando morremos, na cultura egípcia, no céu perguntam:
-Alguém fez você feliz? Você fez alguém feliz?
Talvez eu não consiga responder esta pergunta, mesmo com tantos anos vividos antes da minha morte. Então eu me questiono sobre as crianças, aquelas que procuram simplicidade na vida, e precisam que alguém as faça rir.
Eu me lembro dos palhaços, os mesmo que fazem a alegria das comemorações, retiram milagrosos sorrisos de uma criança e todo o dia é festa. Mas um dia, normal como qualquer outro, não haverá festa.
São essas pessoas, que fazem os outros sorrirem, que voltam a ser criança pelo próximo, que se tocam ao ver uma cena bonita e se questionam sobre o mundo; são essas pessoas as que têm muitos dias tristes.
Eu acho que nestes dias a vida para, eles param. Refletem sobre tudo e todos, se olham no espelho e reparam que envelheceram, e que a maquiagem já não esconde mais a tristeza. Então eles simplesmente sorriem, e percebem que a imagem refletida no espelho são os sorrisos, as lágrimas e as almas que eles fizeram acontecer.
Pessoas que espalham a alegria, como as palhaços, estão em todos os lugares. Nas casas, nos hospitais, nos orfanatos e no céu. Quando chega a hora da partida e as duas perguntas são feitas eu tenho a certeza da resposta:
-Você fez alguém feliz?
-Todos os que me viram e que se encantaram.
-Alguém fez você feliz?
-Os mesmos que se encantaram e me surpreenderam com um sorriso, o que me fazia querer ser eu mesmo todos os dias.

--

Pauta para Mil Palvras, 17ª edição. Tema: Foto do texto.

Foto retirada do site Olhares

sexta-feira, 25 de junho de 2010

11ª Dimensão


   Eu vejo o meu reflexo na poça d’água formada pela chuva fina que caiu hoje de manhã. Penso em como deixei você escapar pelas minhas mãos, não fiz nada além de assistir a sua morte.
   A cada passo que dou minhas pernas tremem, talvez pelo frio ou pelo medo. Talvez esteja enlouquecendo por ver você a cada vez que olho para o escuro.
   Essa distância que nos separa me faz querer morrer para te encontrar. Eu deveria ter sumido, voltado para as minhas origens, mas você me fez querer ficar neste mundo.
   Eu era um anjo, um que caiu do céu para te ter, e depois desta prova de amor você desapareceu. Quando te encontrei, você estava caído, se afogando no seu próprio sangue. Não sei se morro ou se vivo, porque a vida me parou no instante que te encontrei.
   Eu chorei muito, lágrimas que antes eu não poderia derramar. Quis voar, voltar para o céu, mas eu não tinha mais asas. Então me lembrei de tudo o que você me disse nos seus sonhos.
   Eu sinto a sua falta todos os dias, mas sei que não estou sozinha. Quando as lembranças vão de encontro aos meus pensamentos, eu apenas repito a última frase que você me disse: “A vida não acaba quando se morre, ela apenas começa longe da realidade; e a sua realidade está muito longe da minha, novamente.”

--

Pauta para Bloínquês, edição. Tema: Frase em negrito.
Pauta para OUAT, edição. Tema: Frase em itálico.



P.S.: VOTEM EM MIM AQUI, POR FAVOR!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Do you hear me?


   Palavras não bastam para descrever o que senti. Ela me olhou de um jeito puro, havia inocência nos seus olhos. Ela sorriu; suas bochechas apertaram os olhos negros e faziam seus óculos subirem, ao encontro da sobrancelha.
   Ela veio correndo, de abraçou, não disse nada. Passamos um bom tempo juntas. Ela enrolava os dedos nos meus cachos e sorria a cada vez que eles pulavam. Era uma diversão bonita, eu poderia ficar horas olhando, sem me movimentar.
   A professora fez um sinal e ela saiu dos meus braços. Foi para longe balançando a mão de um lado para o outro. Eu me encolhi, fechei a expressão e senti algo macio puxar o meu cacho. Era ela novamente. Ela fez alguns sinais enquanto eu tentava decifrá-la, a professora chegou perto de mim e cochichou: “Você não deve saber, mas ela é surda e muda”.
   Quando os meus pais disseram para mim que eu tinha uma irmã do outro lado do país, eu pensei que ela seria diferente, mas não do jeito que a conheci. Ela é inteligente, charmosa e muito ativa.
   E por incrível que pareça ela não me escuta, mas me entende como qualquer outra. Eu pensei, por leves minutos que aquele seria o pior dia de muitos vividos. Aquele foi o meu dia, o nosso dia. Foi o dia em que descobri que não é necessário ouvir nem falar para se comunicar; a linguagem do coração é a mais pura que existe. E eu tenho muita sorte de ter uma irmã assim.

--

"Pauta para Projeto Entrelinhas, 2ª edição. Tema: Foto do texto."
"Pauta para In verbis, 3ª edição. Tema: Frase em negrito."

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Você vai sorrir para mim no final?


   Vou te contar como tudo começou. Ele era como um irmão para mim, não havia maldade e segundas intenções nas nossas conversas. Falávamos de tudo, mas um dia alguma coisa me revirou o estômago quando ele falou de sua namorada Joana.
   Eu sabia que tinha alguma coisa errada, mas não consegui decifrar. Ele me abraçou quando acabou de contar a caso e me beijou na bochecha.
   -Eu te adoro! – Sorri sem entender nada, pois eu não havia escutado nem uma palavra.
   -Eu também! – Respondi em seguida.
   Ele se levantou e saiu pela porta, me deixando estatelada com aquele sentimento novo dentro de mim. Chorei, chorei muito depois de alguns dias quando vi Alex e Joana se beijando. Eu não entendia aquele sentimento até que ele me viu chorando.
   Arregalei os olhos ao ver que ele estava parado em frete ao banco com uma caixa na mão. Sequei o rosto e ele se sentou, levantando o meu rosto.
   -O que aconteceu?
   -Acho que estou apaixonada pelo meu melhor amigo.
   Ele me abraçou e eu pus as pernas sobre as deles, agarrando-o com força. Ele soltou uma leve risada enquanto eu ainda estava emburrada. Ele passou a mão pelo meu casaco e me aproximou dele, dando-me um beijo no rosto.
   -Eu também gosto de você, mas você não acha estranho melhores amigos namorando?
   -Não.
   E lhe dei um beijo, carinhoso; ele me apertou mais e esfregou seu nariz no meu, enquanto sorria. Olhou-me nos olhou e me deu outro beijo, mais forte, mais rápido, mais apaixonado. Eu sentia sua respiração enquanto seus lábios foram se separando dos meus.
   -Agora eu acho possível.
   Nossos lábios se juntaram novamente por mais alguns instantes e depois ficamos abraçados, no meio da praça, rindo da situação em que ele me pôs, pedindo-me em namoro. Nós nunca sabemos o que a vida nos reserva, pode ser surpresas boas ou ruins, mas vale apena arriscar. A vida é um trem. Suba a bordo.

--
Pauta para Onde as palavras se sobrepõem, 6ª edição. Tema: Foto do texto.
Pauta para Sílaba Tônica, 6ª edição. Tema: Frase em negrito.
Pauta para In verbis, 6ª edição. Tema: Frase em Itálico.

Dois pontos de vista


   Eu sou assim, meio pirada e cheia de defeitos. Em alguns momentos eu quero me esconder da loucura do mundo e dos defeitos do meu ser. Eu quero me afundar nos lençóis, e não me pensar no amanhã, mas sou obrigada pela minha própria mente a olhar para o passado. Quando quero me esconder eu tiro os meus óculos.
   Tentamos melhorar a cada dia não para o nosso próprio bem estar, queremos ser melhores que os outros ou impressioná-los. Mudamos com o tempo para ficarmos parecidos com as outras pessoas, para não sermos diferentes.
   Quando tiro os meus óculos eu vejo tudo claro, manchas e poucos detalhes. Eu não vejo os rostos das pessoas e suas expressões, eu foco no que está ao meu alcance. Quando estou sem óculos eu não me preocupo com que os outros vão pensar sobre mim; mesmo olhando nos olhos deles eu só vejo machas.
   São essas manchas que me confundem, que me fazem cumprimentar a pessoa errada ou abraçar um estranho; fazer alguma coisa bizarra e passar vergonha. Graças aos meus óculos eu mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado.
   A dificuldade de enxergar de longe me faz querer aproximar-me, tocar, sentir ou conhecer. Para todas as pessoas que enxergam o mundo de um modo só, eu me acho sortuda, por poder enxergá-lo e conhecê-lo de dois modos. Eu tiro os meus óculos para as novidades, e as vejo de outra forma; e coloco-o quando quero reconhecer um sorriso de quem eu fiz feliz por ser eu mesma.

--
Pauta para Once Upon a Time, 49ª edição. Tema: Frase em negrito.
Pauta para OPEP, Edição In Colors. Tema: Livre.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Culpada, novamente


   Eu sei que sou desatenta, não me culpe por isso, culpe-me por não ter te ouvido. Não é certo eu jogar toda a culpa em mim, mas a verdade é essa. É estranho comos os fatos decorreram rápido, mas eu sei que alguma coisa aconteceu.
   Você escondia o jogo de mim, sentia vergonha ou qualquer outra coisa. Era calado em minha presença e frio nas palavras ditas comigo. Desejaria voltar atrás e concertar tudo, não ter te conhecido, mas o destino foi mais forte do que eu.
   Ainda me lembro das palavras soltas que disse quando me esbarrei em você, e seu óculos preto caiu. Seus olhos me hipnotizaram, o mel me deixou confusa e eu só pude dizer: ‘a culpa foi minha’.
   Agora eu percebo que todas as vezes que me encontrei com você eu sempre disse que a culpa era minha, eu não sabia o porquê. Novamente digo que a culpa é minha. Erros. Todos nós os cometemos.
   Hoje, ainda olho para o céu e penso em você, em todas as pessoas do mundo eu fui me apaixonar por você. Sinto que esqueçemos de dizer coisas, principalmente você. Desculpe por não ter te ouvido quando disse para manter distância, eu só queria fazer parte do seu mundo.
   Mais que nunca eu fazia parte, e foi toda esta minha desconfiança que fez você mudar, agora eu entendo. Diante de todas essas lembranças meu coração dói, por ter te perdido pela minha insegurança. A culpa foi minha, desculpe-me por te amar.

--

Pauta para OPEP. Tema: Frase em negrito.
Pauta para Sílaba tônica, 4ª edição. Tema: Frase em itálico.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Anjos de cristal


Eu olhei para o céu e senti que as coisas estavam diferentes. O céu havia mudado de cor e o meu corpo estava em perfeita harmonia com o espaço e tempo. Senti a neve caindo sobre o meu rosto, o casaco branco e meus cílios congelados. Senti pela primeira vez que havia encontrado o meu primeiro amor: a neve.
As pessoas pensam que precisamos de outro alguém para viver, nos completar; talvez elas estejam certas. No meu ponto de vista as coisas são um pouco diferentes, a sensação única de ser coberta pela coisa mais pura que eu já havia visto na minha vida.
Elas pareciam pequenos anjos, que protegem quem sente demais, que podem sentir a presença de um protetor. Eu estava segura, de um modo que não consigo explicar. Alguns podem me chamar de louca, outros de ingênua, mas eu me apaixonei por aquela sensação.
A sensação de querer mais, de se sentir completa, de se sentir especial. Eu me apaixonei pelo o dia em que conheci os finos cristais de gelo, que derretiam na minha mão a cada toque meu.
Hoje sinto que vai nevar, que o dia vai esfriar e as ideias vão fluir na minha cabeça. É nessa hora que saio em meio à multidão e cumprimento a neve. Isso não é loucura, é apenas um jeito que eu achei de me sentir protegida, ainda não sei de que. Talvez os anjos tenham gostado de mim.

--

Pauta para Bloínquês, 20ª edição visual. Tema: Foto do texto.
Pauta para In verbis, 1ª edição. Tema: Frase em negrito.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

De perto ninguém é normal


   Foi constatado por todos os doidos varridos que eu conheço: o mundo gira pela loucura. Para aqueles normais, o sol nasce e sem põem sem significado; os dias frios são considerados tristes e as monótonas folhas ao vento, ele nem consegue as perceber. Para os loucos, tudo tem um significado, uma história.
   Pois bem, sinto dizer para os normais que acham que por serem considerados assim, seguirem as regras de tal modo que seja chato, se sentem no devido direito de não ser insano: vocês com certeza quiseram fazer uma loucura, se não já fizeram e sentem medo de assumir.
   Eu assumo que sou louca. Minha família, meus amigos, minha cadela e até meus objetos eletrônicos são alienados. Loucura não faz mal a ninguém, e eu vivo neste mundo onde os que fizeram diferença, seu ponto máximo foi a loucura.
   Eu quero que todos saibam que eu sou especial, que eu sou uma pessoa diferente das outras. Não sou excluída, mas sim mais amada do que qualquer outra, por ser louca. Talvez eu seja anormal demais, mas são apenas detalhes.
   São por momentos únicos, dias aproveitados, pessoas diferentes que eu continuo a ser louca. Não me escondo, pois sei que o mundo um dia verá o meu talento. Deus, livrai-me dos normais; os que são monótonos e que não vivem a vida. Loucura para mim é simplesmente ser eu mesma.

--

Pauta para Sílaba Tônica, 2 ªedição frase de livro. Tema: Frase em negrito.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O refúgio das minhas respostas



Hoje eu chorei, um choro alto cheio de soluços. Uma decepção fez meu coração apertar, mesmo sorrindo para não demonstrar, eu chorei; meu coração chorou. Hoje me senti só, gelada, quebrada. Nunca ninguém vai sentir isso, pois minha alma chora junto, e essa dor é só minha.
O sangue que percorre as minhas veias sente falta de calor; calor humano. Talvez eu seja feita para viver sozinha, mas a cada percorrida de olhares eu me afundo na solidão. Esta tal solidão que se tornou minha amiga é muito ciumenta, não há fundamentos, apenas dor.
Eu sinto falta dos meus amigos, mesmo rodeada de pessoas, aquela me falta. Talvez eu escreva uma carta, talvez ele não me responda. Eu tenho medo, medo de perder quem eu amo, medo de crescer, medo de ser líder, medo de me abrir. Eu tenho medo de ser eu mesma.
A solidão é só mais uma desculpa onde eu me escondo, talvez ela já tenha virado um muro o qual esconde a minha visão. Hoje eu resolvi não chorar mais, mesmo que eu me sinta sozinha sempre haverá alguém do meu lado, nem que seja a própria solidão.
Eu olho para tudo que conquistei e choro, de verdade; lágrimas percorrem o meu rosto neste dia frio em que me encontro. É por tudo que conquistei que quero seguir em frente, a solidão é só mais um sentimento dos vários que tenho. Quando me fecho, a solidão me abraça, toma conta de mim, e é nela que eu encontro as respostas para todos os meus fins.

--

P.S. É na solidão que eu escrevo os meus textos, pois as pessoas mais profundas são aquelas que gostam de estar sozinhas. A solidão não é minha prisão, mais sim o meu refúgio, onde eu encontro todas as respostas das questões que me pergunto. Este texto foi tão profundo para mim que a verdade é que eu chorei escrevendo-o, os calafrios tomaram conta de mim, e a solidão me ajudou, mais uma vez, a ser tão profunda quanto o poço da liberdade.

--

Pauta para Blogueando, 34º edição. Tema: Solidão.
Pauta para OPEP, 1ªedição in colors. Tema: Livre.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Três


   A história que contarei será curta e muito bonita, desculpe-me se eu errar em algum detalhe, já faz algum tempo desde que vi o casal com o amor mais lindo já conhecido. Eu estava viajando para a Califórnia quando vi o tal casal, a menina deitada nas pernas no rapaz sentado. Eles se entreolhavam e sorriam a cada carinho feito pelo garoto, encostei o carro e admirei-os.
   Pelo que pude ouvir eles falavam de várias coisas: da paisagem, dos estudos, do amor, da roupa da menina, do carinho fofo de garoto e como o banco era desconfortável. Uma hora o garoto fechou o rosto e uma lágrima caiu, fiquei confusa, pois não sabia o que havia ocorrido.
   A garota puxou a mão dele para a sua barriga e ele sorriu, eu pude ouvir o que diziam:
   -Espero que seja um garoto.
   -E eu tão bonito quanto o pai.
   Eles sorriram a se beijaram, em uma doçura que não consigo descrever. Pude tirar uma foto do momento, da descoberta que eles não seriam mais dois, mas sim três no futuro. Eles seriam uma família linda e cheia de amor, pelo que pude constatar.
   Eles eram jovens e agora, depois de nove anos que tirei esta foto, conto para a minha filha como o amor pode ser simples, mas ao mesmo tempo tão especial entre duas pessoas.

--
Pauta para Onde as palavras se sobrepõem, 5ª edição. Tema: A foto do texto.