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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Os caminhos da lágrima


Enquanto ele gritava comigo, eu pensava que podia estar em um lugar melhor, com uma pessoa que realmente me merecesse. Eu era tão apaixonada por ele que não conseguia ver os seus defeitos, mas a sua voz rouca e doce se transformou em um trovão, e isso que fez acordar de um sonho muito bom. Ele nunca me ameaçou, e não seria dessa vez que faria, mas quando ousei abrir a porta do quarto ele me puxou e minha mão fez uma marca em seu rosto. Ele me olhou com ódio e me empurrou, fazendo com que eu batesse a cabeça na parede. Fiquei atordoada, demorei alguns segundos até vê-lo novamente, então eu agarrei o vaso de cerâmica e acertei sua cabeça. Ele caiu, estava nos meus pés, o sangue começou a escorrer acompanhando as minhas lágrimas.
Dentre uns dez minutos, eu estava no carro do Miguel, com o Rafael no meu colo, segurando uma toalha contra o seu ferimento na testa. Repetia comigo mesma o pedido de desculpas, por ter o machucado tão seriamente. Ele abriu os olhos, aquelas grandes azeitonas pretas me encarando, e dos seus lábios soou: desculpe-me.
Continuei olhando para os ombros de Miguel, estava muito chateada e vulnerável para olhar nos olhos de Rafael. Minhas lágrimas escorreram e caíram no seu rosto, e neste momento eu senti a sua mão nas minhas costas. Eu pude entender, ali, sentada naquele carro, que tudo poderia acontecer, e que eu fora perdoada, e que só faltava eu o perdoar. No tempo certo, ele entendeu.


Pauta para Suas palavras. 31ª edição imagem. Tema: Imagem do texto.

1° lugar!

domingo, 18 de setembro de 2011

Phoenix, Oregon. 18 de setembro de 2011


                Daniel,

        Espera aí, deixa eu ver se eu entendi. Você chega na minha vida sem dar muitas explicações, cativa-me ao longo do tempo, diz que me ama e depois me deixa, assim, sem dizer nada? Sei que tenho todas as razões do mundo para te odiar, com toda a certeza, mas o que eu sinto mesmo é saudades, talvez com um pouco de raiva. Lembro-me do dia em que você chegou, foi tão sincero o seu sorriso, suas histórias sobre o mundo e as pessoas de cada canto. Você me conquistou com pouco, ganhou tudo o que eu podia dar, e foi embora. O que eu fiz de errado? O que este lugar te fez de mal? Você apenas gritou: "este não é o meu lugar", mas o seu lugar não foi sempre comigo? Por que você não pode apenas dizer que me ama e fincar os seus pés no chão? Por que você tem que sumir entre as montanhas, e nunca mais voltar? Por que você tem que me deixar? E agora, quando me perguntarem sobre você, direi: "ele foi embora", as pessoas me questionarão por que eu não fui com você, mas elas não se questionarão porque você foi. Você nunca pertenceu a um chão, você sempre pertenceu as estradas e as novidades. Eu fui uma novidade um dia, você pensa que não mais. Depois de correr tanto para alcançar o seu carro, sentei na estrada e começei a chorar, com muitos motivos. E sabe o pior deles? Você é o meu pai, e por isso essa dor sempre consumirá metade de mim.

                                                De sua filha,
                                                                Samanta.

Pauta para Suas palavras, 22ª edição imagem. Tema: Foto.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Amor cósmico


        - Uma estrela cadente vinda do seu coração caiu, e destruiu tudo o que havia. Eu não posso mais.
        Ela saiu do quarto de hospital, debulhando-se em lágrimas, não continha os soluços. O seu garoto estava em coma, aquele que sempre esteve ao seu lado, que a ajudou nas horas difíceis, estava precisando da sua ajuda, mas ela não tinha forças. Ela simplesmente não conseguia ver o seu próprio namorado naquele estado, em coma.
        Foi um acidente terrível, estava chovendo, e ele com o seu guarda-chuva franzino, que se curvava com vento. O sinal havia fechado, já estava no meio da faixa de pedestres quando o carro o atingiu. Ele sobreviveu, mas perdeu muito sangue e bateu a cabeça, ficando em coma.
        Ana se encolhia cada vez mais em sua cama, tentava esquecer o ocorrido, mas as imagens do hospital rondavam sua mente. Ela gritou, queria que parasse, que as imagens sumisse, e a dor também, mas isso só a aumentava. Ela fechou os olhos e as lágrimas escorreram sem fim.
        Mantinha-se longe dos amigos, da família e principalmente de Rafael, ela tinha em sua cabeça que precisava esquecê-lo, que assim a dor passaria, e os dias seriam menos cruciantes. Ela estava no escuro, o dia e a noite se completaram e explodiram, deixando um vazio. Um total crepúsculo, ela não sentia o melhor nem o pior, a cada dia que se passava a dor a anestesiava contra as ações da vida. O escuro tomou conta da sua visão, a ablepsia congelava sua mente e o tempo, em realidades opostas.
        Estava em profunda depressão. O abismo era tão extenso que rasgos de luz surgiam em sua mente. No dia em que uma grande tempestade caiu, ela o sentiu.
        - Ana? – Ela olhava, estatelada. – Sou eu, o Rafael.
        - Você voltou?
        - Quase, eu estou no limbo, entre a vida e a morte. Estou na escuridão, esperando uma luz.
        - Seu coração bate?
        - Raramente.
        Seu espectro sumiu, a visão deixou Ana perturbada, foi a primeira vez que ela sentira Rafael tão perto novamente, nesses dois meses de coma. Ela o chamou, gritou com todo o ar de seus pulmões, sentia tanta falta dele. As noites eram mal dormidas, ficava a procura-lo pelo quarto, esperando uma aparição.
        Ela sentiu um calafrio, um uma noite sem lua e estrelas no céu. Deparou-se com Rafael.
        - Você...
        - Estou morrendo, Ana. A luz da estrela está se apagando, e não há nada que eu possa fazer. Você precisa me salvar.
        - Como? – Ela já chorava.
        - Procure-me na escuridão.
        Ana fechou os olhos, lembrou-se de todos os momentos bons, e a imagem do hospital veio a sua cabeça. Ela se fechou, deixou ser banhada pela luz da noite, estranha e sem razão pela falta da lua. Ela viveu todo esse tempo na sombra do coração de Rafael, mas nunca havia percebido o quanto a dor a fazia se aproximar dele.
        A porta do quarto de hospital se abriu, e ali jazia ele, de seu semblante pálido sobressaía a escuridão, ela precisava encontrá-lo. Como estavam sozinhos, ela pôs seu ouvido direito sobre o peito de Rafael, escutava as batidas de seu coração, ele estava vivo e perdido em algum lugar. Ela segurou a sua mão e fechou os olhos, adormecendo na poltrona ao lado na cama. Ela permaneceu na sua escuridão, juto a ele.
        Ela sentiu a pressão e acordou, teve uma surpresa ao ver que Rafael a segurava com força. Ela gritou os enfermeiros.
        - Ele voltou! – Gritava a enfermeira, retirando os aparelhos respiratórios.
        - Ele achou o caminho de volta. – Ana segurava sua mão com toda a força.
        Ele abriu os olhos lentamente, deparando-se com os olhos castanhos dela. Deu um sorriso doloroso, mas sincero.
        - Você achou o caminho.
        - Você... – Ele tentou falar. -... E suas estrelas negras.
        Ela sorriu, ele estava bem e isso era a única coisa que importava. As estrelas e a lua sempre estarão no céu, às vezes escondidas pela escuridão. O nosso dever é fazê-las achar o caminho de casa, pelo mapa mais difícil, ou pela estrela cadente mais brilhosa.

Pauta para Suas Palavras, 9ª edição sentidos. Tema: Desequilíbrio.
P.S.: Baseado nesta música.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Amor cortês


        Eu quero um amor cortês
        Um amor que consuma a minha alma
        Que seja um paradoxo
        Para que todos batam palmas

        Proibido e elevado
        Humano e sublime
        Passional e disciplinado
        Um benigno e um crime

        Quero alguém que me conquiste aos poucos
        Que me abrace a cada dia
        Que levante o meu humor
        E conceda algumas alegrias

        Que me admire todo dia
        Que me queira a cada instante
        Que siga a teoria
        De um amor constante

        Que de mim se aproxime
        E aceite o desafio
        De subir tão alta montanha
        Tão íngreme

        E quando estiver no topo
        Poderá vir falar comigo
        Enamorar um pouco
        E nos despedimos

        E assim por diante
        Até que não aguente
        E mande uma carta
        Com o seu nome no remetente

        Não segurarei minha alegria
        As lágrimas virão a escorrer
        Serei sua dama aflita
        Até termina-la de ler

        “Minha querida Donzela
        Todos os dias a vejo
        Tento manter a cautela
        Mas muito a desejo

        Gostaria de lhe contar
        Sobre o meu amor imenso
        Estou apaixonado
        E agora eu peço

        Minha querida flor
        Responda aos meus apelos
        Encontre-me às sete horas
        No arvoredo”

        E ali me encontro
        Esperando o meu amor
        Que as metas cumpriu
        Que me cortejou

        E sem mais delongas
        Vamos conversar
        Apenas de mãos dadas
        Iremos andar

        Estou quase acabando
        Mas do beijo tenho que contar
        No final da noite
        Eu não ia lhe desapontar.

P.S: Dia dos namorados chegando... Felicidades aos casais, e que eu arranje um namorado até lá. =D

Pauta para Blorkutando, 141ª edição. Tema: Livre.
Pauta para Suas palavras, 8ª edição imagem. Tema: foto.
Pauta para Atrás do pensamento, 2ª edição de poesia. Tema:namorado Livre