quarta-feira, 9 de junho de 2010

De perto ninguém é normal


   Foi constatado por todos os doidos varridos que eu conheço: o mundo gira pela loucura. Para aqueles normais, o sol nasce e sem põem sem significado; os dias frios são considerados tristes e as monótonas folhas ao vento, ele nem consegue as perceber. Para os loucos, tudo tem um significado, uma história.
   Pois bem, sinto dizer para os normais que acham que por serem considerados assim, seguirem as regras de tal modo que seja chato, se sentem no devido direito de não ser insano: vocês com certeza quiseram fazer uma loucura, se não já fizeram e sentem medo de assumir.
   Eu assumo que sou louca. Minha família, meus amigos, minha cadela e até meus objetos eletrônicos são alienados. Loucura não faz mal a ninguém, e eu vivo neste mundo onde os que fizeram diferença, seu ponto máximo foi a loucura.
   Eu quero que todos saibam que eu sou especial, que eu sou uma pessoa diferente das outras. Não sou excluída, mas sim mais amada do que qualquer outra, por ser louca. Talvez eu seja anormal demais, mas são apenas detalhes.
   São por momentos únicos, dias aproveitados, pessoas diferentes que eu continuo a ser louca. Não me escondo, pois sei que o mundo um dia verá o meu talento. Deus, livrai-me dos normais; os que são monótonos e que não vivem a vida. Loucura para mim é simplesmente ser eu mesma.

--

Pauta para Sílaba Tônica, 2 ªedição frase de livro. Tema: Frase em negrito.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O refúgio das minhas respostas



Hoje eu chorei, um choro alto cheio de soluços. Uma decepção fez meu coração apertar, mesmo sorrindo para não demonstrar, eu chorei; meu coração chorou. Hoje me senti só, gelada, quebrada. Nunca ninguém vai sentir isso, pois minha alma chora junto, e essa dor é só minha.
O sangue que percorre as minhas veias sente falta de calor; calor humano. Talvez eu seja feita para viver sozinha, mas a cada percorrida de olhares eu me afundo na solidão. Esta tal solidão que se tornou minha amiga é muito ciumenta, não há fundamentos, apenas dor.
Eu sinto falta dos meus amigos, mesmo rodeada de pessoas, aquela me falta. Talvez eu escreva uma carta, talvez ele não me responda. Eu tenho medo, medo de perder quem eu amo, medo de crescer, medo de ser líder, medo de me abrir. Eu tenho medo de ser eu mesma.
A solidão é só mais uma desculpa onde eu me escondo, talvez ela já tenha virado um muro o qual esconde a minha visão. Hoje eu resolvi não chorar mais, mesmo que eu me sinta sozinha sempre haverá alguém do meu lado, nem que seja a própria solidão.
Eu olho para tudo que conquistei e choro, de verdade; lágrimas percorrem o meu rosto neste dia frio em que me encontro. É por tudo que conquistei que quero seguir em frente, a solidão é só mais um sentimento dos vários que tenho. Quando me fecho, a solidão me abraça, toma conta de mim, e é nela que eu encontro as respostas para todos os meus fins.

--

P.S. É na solidão que eu escrevo os meus textos, pois as pessoas mais profundas são aquelas que gostam de estar sozinhas. A solidão não é minha prisão, mais sim o meu refúgio, onde eu encontro todas as respostas das questões que me pergunto. Este texto foi tão profundo para mim que a verdade é que eu chorei escrevendo-o, os calafrios tomaram conta de mim, e a solidão me ajudou, mais uma vez, a ser tão profunda quanto o poço da liberdade.

--

Pauta para Blogueando, 34º edição. Tema: Solidão.
Pauta para OPEP, 1ªedição in colors. Tema: Livre.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Três


   A história que contarei será curta e muito bonita, desculpe-me se eu errar em algum detalhe, já faz algum tempo desde que vi o casal com o amor mais lindo já conhecido. Eu estava viajando para a Califórnia quando vi o tal casal, a menina deitada nas pernas no rapaz sentado. Eles se entreolhavam e sorriam a cada carinho feito pelo garoto, encostei o carro e admirei-os.
   Pelo que pude ouvir eles falavam de várias coisas: da paisagem, dos estudos, do amor, da roupa da menina, do carinho fofo de garoto e como o banco era desconfortável. Uma hora o garoto fechou o rosto e uma lágrima caiu, fiquei confusa, pois não sabia o que havia ocorrido.
   A garota puxou a mão dele para a sua barriga e ele sorriu, eu pude ouvir o que diziam:
   -Espero que seja um garoto.
   -E eu tão bonito quanto o pai.
   Eles sorriram a se beijaram, em uma doçura que não consigo descrever. Pude tirar uma foto do momento, da descoberta que eles não seriam mais dois, mas sim três no futuro. Eles seriam uma família linda e cheia de amor, pelo que pude constatar.
   Eles eram jovens e agora, depois de nove anos que tirei esta foto, conto para a minha filha como o amor pode ser simples, mas ao mesmo tempo tão especial entre duas pessoas.

--
Pauta para Onde as palavras se sobrepõem, 5ª edição. Tema: A foto do texto.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cuidado, timidez à solta


   Você está andando tranquilamente e de repente sente algo tocar o seu braço, quando se vira o rosto começa a queimar, ou mesmo quando alguém te chama de longe. Estão todos reunidos com suas rodas de amizade e alguém pede para você vir e conhecer todos os novos amigos; amigos que você nunca mais verá novamente e talvez, pague um mico na frente de todos.
   A sua mãe te pede para ir comprar alguma coisa, na farmácia, na padaria ou ali na esquina. Sempre que você está indo, alguém conhecido esbarra em você, ou aquele gatinho com quem você não consegue abrir a boca. Você sai correndo ou cora, literalmente você vira um pimentão.
   O professor te chama para ir à frente de todos e responder aquela bendita pergunta que ninguém fez, e a sua resposta está monstruosa de grande, e todos vão fazer cara de sono quando você lê. A leitura começa e o papel esconde o rosto envergonhado enquanto o professor chama atenção de um garoto que está jogando aviões de papel na sala.
   Quando um tímido fala ou paga um mico isso fica guardado na história, na sua história. A timidez pode ser um processo rápido ou muito demorado, mas há quem goste do charme de um tímido. Nós tímidos temos algo que ninguém mais tem, e eu tenho em grande volume e massa: nossas bochechas coradas.
   Alguma hora a nossa vez vai chegar e vamos corar, mas isso faz parte da vida. Vamos corar por vergonha, por ansiedade, por felicidade, por ciúme ou por timidez. Talvez, se um dia você corar, não fique apreensiva com isso, corar é só mais uma forma de expressar os seus sentimentos, sem ter que falar. Como todos sabem, tímidos não são muito bons com conversas.

--
Pauta para Blorkutando, 88ª edição. Tema: Vermelho de... Vergonha!

Em breve


A mãe remexia na bolsa, procurando algum vestígio ou alívio para o seu coração. Checou o fundo da bolsa e trouxe a tona uma caixa de cigarros vazia e outra pela metade. Sentiu seu corpo estremecer.
Bateu na porta do quarto da filha, que não atendeu. Bateu novamente e desta vez, empurrou-a tão violentamente que fez a filha retirar os fones de ouvido e assustada, pular da cama. A mãe jogou as caixas na cama e gritou:
-O que é isso?
-Eu não quero conversar sobre isso.
-Mas vai falar, eu não admito filha minha fumando!
-Você fala de mim, mas olha para você! Está sempre fumando pelos cantos, escondendo garrafas de bebidas no armário da cozinha. Você pensa que eu não vejo?
-Você era a minha menininha, inteligente e meia.
-Gente meiga não chega a lugar nenhum, eu mudei. Tudo para ser aceita na escola! As pessoas gozavam de mim!
Ela foi até o armário e abriu as gavetas, jogando caixas de cigarro na cama, roupas e jóias góticas e duas garrafas de bebida alcoólica. A mãe sentou na cama e olhou tudo aquilo, ficou sem palavras. A filha olhava a janela em silêncio. Elas se estranhavam mais a cada dia que conviviam na mesma casa.
-Você vai mudar, eu vou fazer alguma coisa. Você vai para o colégio interno.
-Já tomei minha decisão, e não a mudarei.
-Você não toma decisões! Você tem apenas quinze anos, é uma menina e eu não vou aceitar ordens na minha própria casa.
-Dane-se você, eu vou embora.
-Então eu quero você fora da minha casa em seis horas.
A mãe falou em tom de autoridade vendo a filha abaixar o olhar e retirar sua mala do fundo do armário. Em uma hora ela estava saindo pela porta dos fundos. A mãe estava vendo sua garotinha ir embora, ela chorou e gritou.
-Melanie!
Melanie largou a mala e voltou correndo. Abraçou a sua mãe que já estava no chão, as duas se envolveram em um abraço de mãe e filha. As lágrimas não puderam ser contidas, mas a mudança chegará; em breve.

--

Pauta para Bloíquês, 18ª edição conto/história. Tema: Frase em negrito.
Pauta para O paraíso das palavras, 1ª edição. Tema: Frase em itálico.

A esperança da monotonia


   Diariamente a pressa me fazia invisível aos detalhes de onde moro. Os vultos dentro do carro e o pequeno feixe de luz que entra na janela da minha sala deprimiam-me. Eu estava em uma vida monótona e sem graça, eu era mais uma vítima da rapidez em que o mundo gira.
   O dia começou triste, e distante, como todos os outros. Motivei-me a não voltar para a rotina, mas acabei encontrando-me novamente no tédio. Olhei o feixe de luz que entrava pela minha janela e desci os cinco lances de escadas do prédio correndo.
   Atravessei a porta giratória e senti o ar puro, olhei as árvores e vi pessoas; todas em Paris. Corri para onde o vento me levasse, atravessei ruas com sinal aberto e dancei com o poste, logo eu estava onde eu nunca havia chegado perto. Dois anos de trabalho contínuo, sem família, namorado e amigos para interromper. Eu estava na Torre Eiffel.
   Admirei os seus longos arcos e a sua pintura, como as árvores davam um toque especial na paisagem. As flores sorriam para mim enquanto os orvalhos escorriam sobre suas pétalas. Senti no chão e encostei de leve minha cabeça no poste, admirando a linda visão enquanto lágrimas percorriam a minha face rosada.
   Alguém tocou em meu braço, fazendo-me acordar. Estava de noite e as luzes todas acesas, ele me olhou e perguntou:
   -Você está bem?
   -Estou mais que nunca. – Ele me olhou com os olhos verdes amendoados, pegou minha mão e me ajudou a levantar.
   -O que você está fazendo cochilando aqui?
   -Eu vim me libertar. – Sussurrei em tom de segredo.
   -Libertar de que? – Ele sussurrou de volta.
   -Da minha monótona vida de escritório.
   -Posso te contar uma história engraçada? – Fiz positivo com a cabeça. – Eu me livrei dela há três meses quando olhei para a Torre Eiffel enquanto dirigia. Até hoje gosto quando o sinal desta rua fecha e eu posso admirá-la.
   -Quer dançar comigo então? – Estendi minha mão para ele.
   -Claro senhorita.
   E dançamos ali mesmo, as luzes de Paris.

--
Pauta para Bloínquês, 19 edição visual. Tema: Foto do texto.

terça-feira, 1 de junho de 2010

100ª postagem!


   Pessoal, este é o 100º post do Wrieland *todos batem palmas*.
   Eu queria agradecer a todos que lêem o meu blog e que o seguem, isso é muito importante para mim. O contador de visitas também.
   Agora vamos chegar ao 200º post!