quarta-feira, 23 de junho de 2010

Do you hear me?


   Palavras não bastam para descrever o que senti. Ela me olhou de um jeito puro, havia inocência nos seus olhos. Ela sorriu; suas bochechas apertaram os olhos negros e faziam seus óculos subirem, ao encontro da sobrancelha.
   Ela veio correndo, de abraçou, não disse nada. Passamos um bom tempo juntas. Ela enrolava os dedos nos meus cachos e sorria a cada vez que eles pulavam. Era uma diversão bonita, eu poderia ficar horas olhando, sem me movimentar.
   A professora fez um sinal e ela saiu dos meus braços. Foi para longe balançando a mão de um lado para o outro. Eu me encolhi, fechei a expressão e senti algo macio puxar o meu cacho. Era ela novamente. Ela fez alguns sinais enquanto eu tentava decifrá-la, a professora chegou perto de mim e cochichou: “Você não deve saber, mas ela é surda e muda”.
   Quando os meus pais disseram para mim que eu tinha uma irmã do outro lado do país, eu pensei que ela seria diferente, mas não do jeito que a conheci. Ela é inteligente, charmosa e muito ativa.
   E por incrível que pareça ela não me escuta, mas me entende como qualquer outra. Eu pensei, por leves minutos que aquele seria o pior dia de muitos vividos. Aquele foi o meu dia, o nosso dia. Foi o dia em que descobri que não é necessário ouvir nem falar para se comunicar; a linguagem do coração é a mais pura que existe. E eu tenho muita sorte de ter uma irmã assim.

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"Pauta para Projeto Entrelinhas, 2ª edição. Tema: Foto do texto."
"Pauta para In verbis, 3ª edição. Tema: Frase em negrito."

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ears



Desenho para a 10ª edição fotográfica, Bloínquês. Tema: desenho.


P.S.: VOTEM EM MIM AQUI, POR FAVOR!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Você vai sorrir para mim no final?


   Vou te contar como tudo começou. Ele era como um irmão para mim, não havia maldade e segundas intenções nas nossas conversas. Falávamos de tudo, mas um dia alguma coisa me revirou o estômago quando ele falou de sua namorada Joana.
   Eu sabia que tinha alguma coisa errada, mas não consegui decifrar. Ele me abraçou quando acabou de contar a caso e me beijou na bochecha.
   -Eu te adoro! – Sorri sem entender nada, pois eu não havia escutado nem uma palavra.
   -Eu também! – Respondi em seguida.
   Ele se levantou e saiu pela porta, me deixando estatelada com aquele sentimento novo dentro de mim. Chorei, chorei muito depois de alguns dias quando vi Alex e Joana se beijando. Eu não entendia aquele sentimento até que ele me viu chorando.
   Arregalei os olhos ao ver que ele estava parado em frete ao banco com uma caixa na mão. Sequei o rosto e ele se sentou, levantando o meu rosto.
   -O que aconteceu?
   -Acho que estou apaixonada pelo meu melhor amigo.
   Ele me abraçou e eu pus as pernas sobre as deles, agarrando-o com força. Ele soltou uma leve risada enquanto eu ainda estava emburrada. Ele passou a mão pelo meu casaco e me aproximou dele, dando-me um beijo no rosto.
   -Eu também gosto de você, mas você não acha estranho melhores amigos namorando?
   -Não.
   E lhe dei um beijo, carinhoso; ele me apertou mais e esfregou seu nariz no meu, enquanto sorria. Olhou-me nos olhou e me deu outro beijo, mais forte, mais rápido, mais apaixonado. Eu sentia sua respiração enquanto seus lábios foram se separando dos meus.
   -Agora eu acho possível.
   Nossos lábios se juntaram novamente por mais alguns instantes e depois ficamos abraçados, no meio da praça, rindo da situação em que ele me pôs, pedindo-me em namoro. Nós nunca sabemos o que a vida nos reserva, pode ser surpresas boas ou ruins, mas vale apena arriscar. A vida é um trem. Suba a bordo.

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Pauta para Onde as palavras se sobrepõem, 6ª edição. Tema: Foto do texto.
Pauta para Sílaba Tônica, 6ª edição. Tema: Frase em negrito.
Pauta para In verbis, 6ª edição. Tema: Frase em Itálico.

Dois pontos de vista


   Eu sou assim, meio pirada e cheia de defeitos. Em alguns momentos eu quero me esconder da loucura do mundo e dos defeitos do meu ser. Eu quero me afundar nos lençóis, e não me pensar no amanhã, mas sou obrigada pela minha própria mente a olhar para o passado. Quando quero me esconder eu tiro os meus óculos.
   Tentamos melhorar a cada dia não para o nosso próprio bem estar, queremos ser melhores que os outros ou impressioná-los. Mudamos com o tempo para ficarmos parecidos com as outras pessoas, para não sermos diferentes.
   Quando tiro os meus óculos eu vejo tudo claro, manchas e poucos detalhes. Eu não vejo os rostos das pessoas e suas expressões, eu foco no que está ao meu alcance. Quando estou sem óculos eu não me preocupo com que os outros vão pensar sobre mim; mesmo olhando nos olhos deles eu só vejo machas.
   São essas manchas que me confundem, que me fazem cumprimentar a pessoa errada ou abraçar um estranho; fazer alguma coisa bizarra e passar vergonha. Graças aos meus óculos eu mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado.
   A dificuldade de enxergar de longe me faz querer aproximar-me, tocar, sentir ou conhecer. Para todas as pessoas que enxergam o mundo de um modo só, eu me acho sortuda, por poder enxergá-lo e conhecê-lo de dois modos. Eu tiro os meus óculos para as novidades, e as vejo de outra forma; e coloco-o quando quero reconhecer um sorriso de quem eu fiz feliz por ser eu mesma.

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Pauta para Once Upon a Time, 49ª edição. Tema: Frase em negrito.
Pauta para OPEP, Edição In Colors. Tema: Livre.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Culpada, novamente


   Eu sei que sou desatenta, não me culpe por isso, culpe-me por não ter te ouvido. Não é certo eu jogar toda a culpa em mim, mas a verdade é essa. É estranho comos os fatos decorreram rápido, mas eu sei que alguma coisa aconteceu.
   Você escondia o jogo de mim, sentia vergonha ou qualquer outra coisa. Era calado em minha presença e frio nas palavras ditas comigo. Desejaria voltar atrás e concertar tudo, não ter te conhecido, mas o destino foi mais forte do que eu.
   Ainda me lembro das palavras soltas que disse quando me esbarrei em você, e seu óculos preto caiu. Seus olhos me hipnotizaram, o mel me deixou confusa e eu só pude dizer: ‘a culpa foi minha’.
   Agora eu percebo que todas as vezes que me encontrei com você eu sempre disse que a culpa era minha, eu não sabia o porquê. Novamente digo que a culpa é minha. Erros. Todos nós os cometemos.
   Hoje, ainda olho para o céu e penso em você, em todas as pessoas do mundo eu fui me apaixonar por você. Sinto que esqueçemos de dizer coisas, principalmente você. Desculpe por não ter te ouvido quando disse para manter distância, eu só queria fazer parte do seu mundo.
   Mais que nunca eu fazia parte, e foi toda esta minha desconfiança que fez você mudar, agora eu entendo. Diante de todas essas lembranças meu coração dói, por ter te perdido pela minha insegurança. A culpa foi minha, desculpe-me por te amar.

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Pauta para OPEP. Tema: Frase em negrito.
Pauta para Sílaba tônica, 4ª edição. Tema: Frase em itálico.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Não conte a ninguém


   Eles estavam sentados conversando na beira do mar, o vento batia e o cabelo da menina voava livre. O menino disfarçava, sorria de um lado, soltava algumas palavras de outro e em uma hora beijava a menina tão rapidamente que ela nem fechava os olhos.
   Ele se levantou e correu pela praia, ainda estatelada ela se levantou e correu atrás dele. Ele parou e olhou para ela, estava vermelho e o sol deixava sua pela morena no fim de tarde. Ela sorriu e ele voltou a correr.
   Ela se sentou na areia e começou a fazer montinhos de terra, fazia um ali, outro aqui. Ele parou, longe. Contemplou a simplicidade dos montinhos e veio caminhando, fazendo uma linha com o pé. Chegou bem perto na menina e lhe disse suas simples palavras:
   -Eu gosto de você.
   Ela se levantou e o encarou, meio sem jeito. Gentilmente ele ofereceu a mão – que foi pega – e a levou para ver suas mal traçadas linhas que formavam um coração com suas inicias: J e B. Ela sorriu e pronunciou suas tímidas palavras:
   -Eu gosto de você também.
   O sol encostou-se ao mar, dando a praia um tom dourado. Podiam-se ver duas pessoas, talvez namorados agora, andando de mãos dadas pela beira da praia. A água encostava suavemente nos seus pés enquanto eles se beijavam.

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Pauta para Bloínquês, 20ª edição musical. Tema: Frase em negrito.

Anjos de cristal


Eu olhei para o céu e senti que as coisas estavam diferentes. O céu havia mudado de cor e o meu corpo estava em perfeita harmonia com o espaço e tempo. Senti a neve caindo sobre o meu rosto, o casaco branco e meus cílios congelados. Senti pela primeira vez que havia encontrado o meu primeiro amor: a neve.
As pessoas pensam que precisamos de outro alguém para viver, nos completar; talvez elas estejam certas. No meu ponto de vista as coisas são um pouco diferentes, a sensação única de ser coberta pela coisa mais pura que eu já havia visto na minha vida.
Elas pareciam pequenos anjos, que protegem quem sente demais, que podem sentir a presença de um protetor. Eu estava segura, de um modo que não consigo explicar. Alguns podem me chamar de louca, outros de ingênua, mas eu me apaixonei por aquela sensação.
A sensação de querer mais, de se sentir completa, de se sentir especial. Eu me apaixonei pelo o dia em que conheci os finos cristais de gelo, que derretiam na minha mão a cada toque meu.
Hoje sinto que vai nevar, que o dia vai esfriar e as ideias vão fluir na minha cabeça. É nessa hora que saio em meio à multidão e cumprimento a neve. Isso não é loucura, é apenas um jeito que eu achei de me sentir protegida, ainda não sei de que. Talvez os anjos tenham gostado de mim.

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Pauta para Bloínquês, 20ª edição visual. Tema: Foto do texto.
Pauta para In verbis, 1ª edição. Tema: Frase em negrito.