quarta-feira, 16 de março de 2011

As luzes das estrelas

     O pai foi desejar boa noite ao filho:
          - Arthur, eu queria falar uma coisa muito importante com você.
          - O que foi papai?
          - Eu quero dizer pra você não ter medo do escuro.
          - Mas papai, o escuro é mau.
          - Filho, o escuro não é mau. Você sabia que as fotos antigamente para serem reveladas eram no escuro? E que só podemos ver as estrelas e a lua no escuro? E que a luz, para ser apreciada, necessita da escuridão?
          - É mesmo, papai?
          - Sim, e não é preciso que você durma com o seu abajur ligado, você nem consegue ver a lâmpada!
          - Mas eu gosto dele.
          - Filho, não tenha medo de apagar o abajur, pois muitas estrelas no céu se apagaram, e nem por isso elas deixaram de brilhar para nós.
          - Como assim?
          - Elas ficam tão longes, que mesmo que não existam mais, as suas luzes nos acompanham por um bom espaço de tempo.
          - Quer dizer que o meu abajur vai me acompanhar?
          - Quando a luz se apagar, você ainda se lembrará dele ligado, e olhará para o teto e verá coisas que não via com a luz acesa, você conhecerá um novo mundo.
          - Tudo bem papai, desligue o abajur.
          - Não, você tem que fazer isso por si só. Ver as estrelas de noite é só para quem tem coragem de olhar para cima.
          O garotinho sorriu.
          - Boa noite Arthur.
          - Boa noite papai.
          O pai deu um beijo em seu filho e a luz foi desligada.


Pauta para Créativité, 10ª edição dialogue. Tema:última conversa do dia.

terça-feira, 8 de março de 2011

Jornal cafeinado


          Eu estava um café, distraído com o meu jornal, tentando arrumar as palavras para a minha nova coluna. Neste momento ouvi gritos e acusações, mas estava muito concentrado para prestar atenção. Baixei o jornal quando vi uma mancha de café escorrendo sobre a coluna de Júlio Alves, minha feição não era uma das melhores. Mirei na mulher com a maquiagem borrada, muito bem vestida, estava com um vestido vermelho até os joelhos, com um decote que chamou a minha atenção. O homem estava de smoking e muito sério, não olhava diretamente para a mulher, e ela se mexia muito, principalmente com as mãos, explicando algum acaso.
          O homem fingia-se distraído, mas ouvia o que ela dizia. Podia-se perceber pelo jeito com que as mãos suadas se secavam na calça, os dedos se estalavam e a cabeça mudava de posição conforme o tom da voz da mulher. Só comecei a prestar atenção na briga quando pingou algumas gotas de café na minha calça e eu amassei o jornal, rascunhando algumas palavras na folha de papel. Eles estavam brigando porque o homem havia convidado a irmã dela para dançar, não percebendo a diferença.
          - Vocês são gêmeas! – Gritava ele.
          - Você está casado comigo há três anos e não sabe a diferença?
          Além de convidar, ele havia a beijado e dito palavras carinhosas, sem se dar conta de que não era a sua esposa. Ela chorava muito, e dizia que queria o divórcio, e ele, desesperado, afirmava ter sido uma pequena confusão por ter bebido a mais. Eu, que nada conhecia do amor, que dedicava cada segundo do meu dia ao trabalho de escreve colunas para jornais, levantei-me daquela cadeira e pus minha opinião em pauta.
          - Não vêem o que está na frente de vocês? Estão casados há três e por uma briga boba vão se separar? A sua irmã devia ter vergonha do que fez, pois pelo o que ouvi, foi ela que o convidou para dançar. E se ele veio atrás de você, é porque ele te ama. Eu não sou um sábio, mas a verdade é que eu já vi muitas histórias de amor nos jornais, algumas trágicas e outras felizes. Não deixem que esse jornal acabe molhado de café e amassado na lixeira.
          E os olhos antes fuziladores, acalmaram-se e se transformaram em um abraço eufórico e sincero em mim. Eles se beijaram e o homem secou as lágrimas manchadas do rosto dela. Eu ganhei uma história para minha coluna, e eles ganharam a vida de volta.

Pauta para Bloínquês, 57º edição conto/história. Tema: Frase em negrito.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Não me deixe


          Já não aguento mais, estou sufocado pela saudade que tu deixastes em mim, e não há outra saída a não esquecer. Lembro-me todos os dias de quando te conheci, ficava a tua espera, esperançoso para a porta do quarto se abrir assim que saías. Não sabes como és importante para mim, pois eu, um ser tão pequeno, não pode dizer como me sinto em relação à nossa amizade.
          Pode não saber, mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim única no mundo. E eu serei para ti único no mundo. Felizmente, tu me cativaste e estou muito feliz de poder dizer que sou teu amigo. Agora, abres esta porta e me deixa entrar. Cresces comigo, não me tires da sua vida.
          Sei que crescestes e que já não se importa com coisas banais de criança, mas não me deixes. Eu sempre serei o seu ursinho de pelúcia que enfeita a sua cama, mas não deixes de brincar comigo. Mesmo que seja apenas um abraço, tu não sabes como isso é importante para alguém com um coração feito de um material tão maleável.
 Pauta para Créativité, 8ª edição gênero-situação. Tema: Frase em negrito.
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Pessoal que lê e passou a ler o meu blog, desculpem-me por não postar mais textos, mas como eu moro em Caxias e passei a estudar no Cefet, eu madrugo e chego em casa no meio da tarde. Não prometo que vou sempre postar, mas podem ter certeza que quando tiver tempo, será para o blog. Obrigada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Insana

          Quando disseram para mim que eu era insana
          Gargalhei até lágrimas escorrem pelas minhas bochechas,
          Pensei ser só uma brincadeira
          E não dei muita importância.

          Com o passar dos anos
          Descobri que eu era louca,
          Que a tênue linha que eu guardava com tanta segurança
          Foi cortada com uma adaga vermelha.

          Suja do sangue de quem um dia eu matei
          E larguei ao relento,
          Não pense que foi uma morte rápida,
          Fiz questão que fosse dolorida, sofrida e inquietante.

          E pelo barulho da noite
          Não consigo mais dormir,
          Estou sufocada com tantas mentiras,
          E a adaga está cravada no meu peito.

          E quando penso que não há dor maior do que ser insana
          A adaga se desfaz,
          Ele, com todo o seu ar
          Retira-a de mim.

          E a quem feri e com seu sangue manchei a adaga,
          Agora vem a mim com todos os sentimentos reconstruídos,
          Os mesmos que matei há alguns anos,
          Tornando-me louca.

          Não me arrependo de nada,
          Dos dias que passei manchada,
          Mas acredito que a minha loucura,
          Seja a mais rara.

Pauta para Bloínquês, 23º edição poesia. Tema: loucura.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Escute as suas próprias palavras

                    Querido diário,



          Finalmente consegui aproveitar minhas férias, coisa que estava sendo um pouco difícil desde que eu terminei com o...



...Lucas. Ele era um amor no início, tratava-me bem, dava-me girassóis e os seus beijos eram quentes e acolhedores, mas desde que eu planejei aquele piquenique no...


...campo, ele tem me tratado diferente. Ele andava frio e calculista, não opinava em nada, nem me abraçava quando havia oportunidade. Por isso resolvi terminar com ele. Isso foi muito doloroso, para o Lucas! Ele não conseguiu aceitar que tudo havia acabado e me perseguia pela escola. Eu dei um basta nisso, revelei os meus sentimentos mais profundos e ele aceitou que era melhor nos separarmos. Eu não o culpo por nada, mas parece que ele anda se...


...culpando. Ele fica sozinho no almoço, não conversa com ninguém, e todas as vezes que passo pela casa dele, vejo-o em pé na janela, a olhar para o nada. Eu espero que ele melhore e siga em frente, pois eu já comecei a caminhar.

Pauta para Créativité, 2ª edição passatempo. Tema: Férias, namorado, campo, solidão.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Verão maldito

          -Você viu o que aconteceu em Friburgo?
          -Não, o que?
          -Houve uma catástrofe climática!
          -Explique melhor.
          -Bem, uns morros caíram e mataram muita gente. – Silêncio. – Além disso, o rio encheu e levou várias pessoas. – Levantada de sobrancelha. – Por quatro quilômetros.
          -Isso é muita coisa.
          -É mesmo, Itaipava também foi atingida.
          -Sério?! Eu estive lá há uns quatro dias atrás.
          -Você teve muita sorte de não ir no dia da catástrofe.
          -É mesmo, mas eu consegui registrar os últimos dias de glória de Itaipava. – Silêncio. – Eu posso vender as fotos como o antes e o depois.
          -Você vai ganhar um bom dinheiro.
          -Obrigada amigo.
          -Eu ganharei alguma comissão?
          -Por quê?
          -Eu te informei sobre a catástrofe.
          -Pois é, mas sou eu quem tem as fotos, bom dia.


ANTES


DEPOIS




Pauta para Créativité, 2ª ediçõa diálogo. Tema: Catástrofes climáticas.

Eu lamento muito o que aconteceu em Itaipava e em outras localidades, isso tudo é uma grande fatalidade. O diálogo acima não revela nada sobre meu verdadeiro sentimento sobre tudo isso, já que é um texto meio "não estou nem aí". Espero que tudo isso, em breve, seja apenas uma lembrança para todos nós.

P.S.: É verdade que eu estive em Itaipava alguns dias antes de catástrofe. Eu sou a garota segurando a água no alto.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Caderno adesivado






Pauta para Crétivité, 1ª edição colagem. Tema:Capa

Aeee! Primeiro post de 2011! Começando com duas fotos os meu caderno adesivado. Todas essas figurinhas foram retiradas do meu álbum de colecionador, e como eu não tinha contact, eu passei durex. Agora, imagina eu passando fio por fio (aquele durex fino), mas valeu a pena!