quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ciaran


Lembra quando nos conhecemos
Apresentados no trem?
Desconhecidos conhecendo
Alguém que conhecia alguém

E eu me apaixonei por você
Pelo seu sorriso escondido
Que raramente aparece
Mas quando vem, é magnífico

E os seus cabelos pretos
Que nunca ficam no lugar
E os seus olhos negros
Que nunca param de encarar

Você é um total mistério
Um cubo mágico a descobrir
Instigante e imprevisível
Nunca sei o que está por vir

E como da água do vinho
Como uma identidade dupla
Você faz uma coisa
E amanhã, simplesmente muda

Mas, lembra das nossas conversas?
Olho no olho, tal que matava
Tudo misturado
Ansiedade, pureza e raiva

E mesmo que seja só meu amigo
Ficarei feliz por estar com você
Pois eu não te amo só pelo físico
Mas pelo seu interior também.

--

P.S.: Desculpem a demora para postar algo. A foto fui eu quem tirou, em Buenos Aires. Não sei se este poema ficou muito bom. Ciaran significa negro como a noite.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Revolta sobre o amor


        - Vou falar que você estava errada, que foi lá e arriscou tudo o que tinha de mais importante, destruiu tudo por puro egoísmo. Você tentou e não conseguiu, e agora, carregará este peso por toda a sua vida, de mais uma amizade destruída. A culpa é toda sua, e não há nada que possa mudar isso.
        - Vou falar que você estava errada, que não fez nada e perdeu a oportunidade, que agora, tem que ouvir o quanto ele está feliz com outra. Você nem se quer tentou, não saiu do lugar para demonstrar o que sentia, você é uma fraca, covarde. A culpa é toda sua, e não há nada que possa mudar isso.
        Duas situações diferentes com a mesma pessoa. E agora me pergunto: arrisco tudo ou permaneço intacta onde estou? Dizem para arriscar, depois dizem que era melhor ter pensado antes. Dizem para ficar, depois dizem que você deixou a oportunidade escapar. Estou cansada desde falatório, dizendo o que eu devo fazer e deixar de fazer. Eu quero sentir! Quero ser abraçada, beijada, elogiada, respeitada, cobiçada e amada. Alguém, por favor, explica-me o porquê deste turbilhão de emoções? Sou mais uma adolescente normal procurando alguém que se sinta deste jeito, e mesmo assim não encontro uma pessoa, neste mundo tão grande.
        Estou cansada de ver aquele casal feliz, os beijos espalhados pelos corredores e os abraços sinceros, de desejar felicidade interna para os outros; eu quero que eles a desejem para mim, pela eternidade. Quero alguém que segure a minha mão e diga o quanto sou importante, que me olhe nos olhos e diga que sou linda, que me abrace sinceramente e diga que nunca me soltará.
        Eu vivo buscando insanamente o amor, e parece que ele foge de mim. Quando me calo, ele passa pelos meus olhos e cai no colo de outro alguém, e quando me empolgo a contar o que eu sinto, ele escorre pelas minhas mãos. Eu quero uma solução, que tudo seja mais simples, que as pessoas possam falar de sentimentos sem se encobrirem. Quantas vezes você já disse algo verdadeiro e escondeu, dizendo que era brincadeira?
        Quero e necessito que todas as brincadeiras sejam verdade. Quero um amor só meu, e que acima de tudo, seja sincero.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Amor cósmico


        - Uma estrela cadente vinda do seu coração caiu, e destruiu tudo o que havia. Eu não posso mais.
        Ela saiu do quarto de hospital, debulhando-se em lágrimas, não continha os soluços. O seu garoto estava em coma, aquele que sempre esteve ao seu lado, que a ajudou nas horas difíceis, estava precisando da sua ajuda, mas ela não tinha forças. Ela simplesmente não conseguia ver o seu próprio namorado naquele estado, em coma.
        Foi um acidente terrível, estava chovendo, e ele com o seu guarda-chuva franzino, que se curvava com vento. O sinal havia fechado, já estava no meio da faixa de pedestres quando o carro o atingiu. Ele sobreviveu, mas perdeu muito sangue e bateu a cabeça, ficando em coma.
        Ana se encolhia cada vez mais em sua cama, tentava esquecer o ocorrido, mas as imagens do hospital rondavam sua mente. Ela gritou, queria que parasse, que as imagens sumisse, e a dor também, mas isso só a aumentava. Ela fechou os olhos e as lágrimas escorreram sem fim.
        Mantinha-se longe dos amigos, da família e principalmente de Rafael, ela tinha em sua cabeça que precisava esquecê-lo, que assim a dor passaria, e os dias seriam menos cruciantes. Ela estava no escuro, o dia e a noite se completaram e explodiram, deixando um vazio. Um total crepúsculo, ela não sentia o melhor nem o pior, a cada dia que se passava a dor a anestesiava contra as ações da vida. O escuro tomou conta da sua visão, a ablepsia congelava sua mente e o tempo, em realidades opostas.
        Estava em profunda depressão. O abismo era tão extenso que rasgos de luz surgiam em sua mente. No dia em que uma grande tempestade caiu, ela o sentiu.
        - Ana? – Ela olhava, estatelada. – Sou eu, o Rafael.
        - Você voltou?
        - Quase, eu estou no limbo, entre a vida e a morte. Estou na escuridão, esperando uma luz.
        - Seu coração bate?
        - Raramente.
        Seu espectro sumiu, a visão deixou Ana perturbada, foi a primeira vez que ela sentira Rafael tão perto novamente, nesses dois meses de coma. Ela o chamou, gritou com todo o ar de seus pulmões, sentia tanta falta dele. As noites eram mal dormidas, ficava a procura-lo pelo quarto, esperando uma aparição.
        Ela sentiu um calafrio, um uma noite sem lua e estrelas no céu. Deparou-se com Rafael.
        - Você...
        - Estou morrendo, Ana. A luz da estrela está se apagando, e não há nada que eu possa fazer. Você precisa me salvar.
        - Como? – Ela já chorava.
        - Procure-me na escuridão.
        Ana fechou os olhos, lembrou-se de todos os momentos bons, e a imagem do hospital veio a sua cabeça. Ela se fechou, deixou ser banhada pela luz da noite, estranha e sem razão pela falta da lua. Ela viveu todo esse tempo na sombra do coração de Rafael, mas nunca havia percebido o quanto a dor a fazia se aproximar dele.
        A porta do quarto de hospital se abriu, e ali jazia ele, de seu semblante pálido sobressaía a escuridão, ela precisava encontrá-lo. Como estavam sozinhos, ela pôs seu ouvido direito sobre o peito de Rafael, escutava as batidas de seu coração, ele estava vivo e perdido em algum lugar. Ela segurou a sua mão e fechou os olhos, adormecendo na poltrona ao lado na cama. Ela permaneceu na sua escuridão, juto a ele.
        Ela sentiu a pressão e acordou, teve uma surpresa ao ver que Rafael a segurava com força. Ela gritou os enfermeiros.
        - Ele voltou! – Gritava a enfermeira, retirando os aparelhos respiratórios.
        - Ele achou o caminho de volta. – Ana segurava sua mão com toda a força.
        Ele abriu os olhos lentamente, deparando-se com os olhos castanhos dela. Deu um sorriso doloroso, mas sincero.
        - Você achou o caminho.
        - Você... – Ele tentou falar. -... E suas estrelas negras.
        Ela sorriu, ele estava bem e isso era a única coisa que importava. As estrelas e a lua sempre estarão no céu, às vezes escondidas pela escuridão. O nosso dever é fazê-las achar o caminho de casa, pelo mapa mais difícil, ou pela estrela cadente mais brilhosa.

Pauta para Suas Palavras, 9ª edição sentidos. Tema: Desequilíbrio.
P.S.: Baseado nesta música.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Amor cortês


        Eu quero um amor cortês
        Um amor que consuma a minha alma
        Que seja um paradoxo
        Para que todos batam palmas

        Proibido e elevado
        Humano e sublime
        Passional e disciplinado
        Um benigno e um crime

        Quero alguém que me conquiste aos poucos
        Que me abrace a cada dia
        Que levante o meu humor
        E conceda algumas alegrias

        Que me admire todo dia
        Que me queira a cada instante
        Que siga a teoria
        De um amor constante

        Que de mim se aproxime
        E aceite o desafio
        De subir tão alta montanha
        Tão íngreme

        E quando estiver no topo
        Poderá vir falar comigo
        Enamorar um pouco
        E nos despedimos

        E assim por diante
        Até que não aguente
        E mande uma carta
        Com o seu nome no remetente

        Não segurarei minha alegria
        As lágrimas virão a escorrer
        Serei sua dama aflita
        Até termina-la de ler

        “Minha querida Donzela
        Todos os dias a vejo
        Tento manter a cautela
        Mas muito a desejo

        Gostaria de lhe contar
        Sobre o meu amor imenso
        Estou apaixonado
        E agora eu peço

        Minha querida flor
        Responda aos meus apelos
        Encontre-me às sete horas
        No arvoredo”

        E ali me encontro
        Esperando o meu amor
        Que as metas cumpriu
        Que me cortejou

        E sem mais delongas
        Vamos conversar
        Apenas de mãos dadas
        Iremos andar

        Estou quase acabando
        Mas do beijo tenho que contar
        No final da noite
        Eu não ia lhe desapontar.

P.S: Dia dos namorados chegando... Felicidades aos casais, e que eu arranje um namorado até lá. =D

Pauta para Blorkutando, 141ª edição. Tema: Livre.
Pauta para Suas palavras, 8ª edição imagem. Tema: foto.
Pauta para Atrás do pensamento, 2ª edição de poesia. Tema:namorado Livre

domingo, 22 de maio de 2011

Obscuridade dos sonhos


          Aviso logo de cara sobre os sonhos,
          Nem ouse se agarrar nesta abertura,
          Divinamente guardada pelos demônios,
          Saboreando a ausência de censura.

          Eles povoarão sua límpida mente,
          Simularão ludíbrios em dimensões,
          Retiradas da sua alma inocente,
          Sem se preocuparem com as restrições.

          Não se mova, não imagine, não respire,
          Eles reúnem todas as suas fraquezas,
          Formam pesadelos e trazem a tristeza,
          Não se importando com a manhã seguinte.

          Mas tudo isso não é nada além de um sonho,
          Quando o sol nascer, serão apenas lembranças,
          Dos sentimentos criados pela esperança,
          De ser algo suficientemente cômico.


P.S:Quadra em versos alexandrinos. Se você não sabe o que é, clique aqui, e depois aqui.
Pauta para Bloínquês, 41ª edição poemas. Tema: Sonhos.

domingo, 15 de maio de 2011

Respire


                              Há algo melhor do que respirar?

          Quando estamos aflitos, com medo, sem esperança, cansados e quase vencidos, nós respiramos. E quando o ar preenche nossos pulmões, conseguimos pensar com maior clareza, e mesmo que os problemas não se resolvam, achamos alguns caminhos errados, melhor do que o próprio desespero impensado.
          Corremos muito para conquistar nossos sonhos, e na metade do caminho estamos arfando, respirando pela boca. E como alguém que quer tentar meditar, sem nunca praticar, fecha a boca, estufa o peito e solta o ar dos pulmões.
          Deitar e fechar os olhos, não pensar em nada e ouvir apenas a sua respiração, enquanto o seu diafragma cresce e diminui. A mente está limpa, e nunca nos sentimos tão bem, e nos lugares mais calmos estamos, agora, pensando. Uma praia vazia ao entardecer, com o barulho das ondas; um parque com risadas sinceras de crianças que acabaram de se conhecer.
          É estranho como as crianças confiam uma nas outras, é difícil dizer quantas vezes nós conquistamos as pessoas em um parque, sala de jogos ou um passeio ao Jardim Botânico. É assim, a ingenuidade vai se extinguindo com o passar dos anos, enquanto os sapatos param de servir e os desenhos animados perdem a graça; mas às vezes nós os assistimos apenas para matar a saudade.
          Nós respiramos mais uma vez e percebemos como é difícil crescer. E alguns de nós pensa, e age de forma tão diferente que não parece ser a criança que se sujava na lama do quintal. Crescer não é mudar gostos, não é se tornar alguém igual da televisão, imitar o seu ídolo; crescer é acrescentar. Respirar a cada escolha e não as mudar, mas experimentar algo novo, aprender novas palavras e onde fica Narni. Ao longo do caminho perdemos coisas e pessoas importantes, mas nunca deixe isso abalar você, fazer-te esquecer da sua verdadeira essência ou não acrescentar aprendizados.

sábado, 7 de maio de 2011

Por que escrevemos textos sobre solidão?


          Estava pensando com os meus botões o que escrever, pois já faz um tempo que não há nada de novo por aqui. Veio-me a ideia da solidão, um assunto que eu escrevo bem, não me pergunte o porquê. Mas eu me perguntei: “por que escrevemos textos sobre a solidão?”. Isso seria um bom texto, e estou aqui contando o início do meu texto.
          Todos nós já tivemos este sentimento, que não é ruim. Eu gosto da solidão em alguns momentos, mas como dizem, tudo em excesso faz mal. A maioria dos textos que escrevemos é sobre a má solidão, a depressão e como isso afeta no amor e na nossa autoestima. Nós não vemos, mas quem está lendo do outro lado, fica meio afetado com esses textos, como já me disseram.
          Mas nós escrevemos sobre solidão para mostrar aos outros como eles são felizes, para fazê-los sentirem melhor mesmo com o mundo de cabeça pra baixo. Eles apertam nosso coração, e ficamos torcendo pelo protagonista vencer a antagonista, a tal solidão. Torça! Cada vez com mais emoção, pois estamos “dizendo” que ele consegue vencer tudo aquilo, e no final ser feliz. Mas como podemos torcer por algo que não temos? Sim, aí está o grande mistério, você torce para que o personagem alcance a sua felicidade.
          Os textos sobre solidão nos mostram o quão bom podemos ser também. As pessoas más ficam felizes de ver o coitadinho sofrendo, infeliz, jogado ao relento. As de bom coração, como você que está lendo este texto agora, esperam que o personagem encontre o amor e o potinho de ouro no final do arco-íris.
          Lembra-se quando encontrou o potinho de ouro pela primeira vez? E quando escorregou nas sete cores e percebeu que estava irradiando luz? Os textos nos fazem lembrar tudo isso, dos momentos bons que tivemos e alguns ruins, mas que se não ocorressem, a nossa vida não tomaria aquele rumo.
          Enfim, a verdadeira razão de existirem os textos de solidão é que nós, escritores, adoramos como eles nos fazem sentir melhores, como um banho de cachoeira, que leva todas as impurezas. Tudo de solitário é posto ali, e quem lê vê isso, a pureza que há por trás. E é nessa pureza que nos sentimos felizes, que há esperança no meio do caminho, e que mesmo não parecendo, todos temos um final feliz.