quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Linhas tortas da minha fixação


2 de agosto de 2010, Rio de Janeiro.

   Espero aprender com os meus erros, pois há muito tempo deixei de acertar. Há muito tempo deixei de compor e tocar o violão, pois tudo me lembra você. Levantarei a mão quando for necessário separar os culpados dos inocentes, e novamente estarei do outro lado, sem você.
   Quando aquele avião partiu, seu coração estava repartido, e sou eu a dona do martelo. Tenho culpa de ser ciumenta, possessiva, desconfiada e sarcástica; mas você não me deu tento para mostrar o meu lado humano. É uma surpresa eu estar comentando sobre isso, mas eu não sou de palavras, minhas músicas falam por mim, e mais que eu queira falar o que eu sinto, não consigo.
   Tentei fazer uma música para você, mas a minha mão estava anestesiada pelas lágrimas que desciam pelo meu rosto ao lembrar da sua face sorrindo para mim. Aquele sorriso encantador, o qual eu nunca elogiei, mas agora realizo o ato. Muitas coisas eu não falei e gostaria de mencionar aqui: seu cabelo é o mais lindo que eu já vi, sua voz dava-me cala-frios e o seu abraço não poderia ser mais quente e aconchegante. Você me tratava como uma princesa, enquanto eu não demonstrava carinho algum por você.
   Eu não demonstrava, mas sentia, bem no fundo que tudo aquilo era amor. Passei algumas semanas olhando para o violão na parede, aquele que você me deu com a dedicatória mais linda do mundo: “não olhe ainda, mas eu estou sorrindo por trás de você só por saber que sempre tocará pensando em mim”. Você estava certo, eu não paro de pensar em você.
   Resolvi tocá-lo, algumas simples notas formando acordes suaves; e então eu compus alguns singelos versos sobre você. Tenho medo de colocá-los aqui, eles são tão profundos, não parecem que foram escritos por mim.
   Sabe Tom, você me faz uma pessoa melhor, uma que tem sentimentos a serem compartilhados e sente saudades. Eu sinto tanto a sua falta, por favor, volta. Eu prometo ser uma pessoa melhor, prometo concertar os meus erros, e o principal deles é me desculpar com você. Desculpe-me pelos ataques de ciúmes, pela falta de carinho e pelos beijos gélidos que você recebeu.
   Eu não sou perfeita Tom, mas eu estava ultrapassando a imperfeição natural, eu já estava impura. Então eu termino esta carta implorando pelo seu perdão, e dizendo que ainda te amo, mais do que nunca.

   "Você não tem culpa
   De eu ser assim
   Então eu me desculpo
   Pelos tempos ruins
   Peço demais
   Quando preciso do seu perdão
   Volte atrás
   Pegue aquele avião

   Dentro dos seus olhos
   Eu preciso ver
   A verdade que falta
   Para eu crer
   Que eu sinto
   Que não é mais um sonho
   O qual estou dormindo
   Mas sim amando

   E nessas linhas tortas
   Nas quais eu escrevo
   Tenho que dizer
   Perdoe o medo
   Mas eu mudei
   Consertei os meus erros
   E agora eu posso te falar
   Que eu te amo mais do que só palavras".


                                                                  Fernanda Pessanha.

Pauta para Bloínques, edição. Tema: Imagem.
Pauta para Blogueando, edição. Tema: Erros.
Pauta para In verbis, edição. Tema: Frase em negrito.

sábado, 21 de agosto de 2010

A impunidade é a mãe de todos os crimes


   As nossas cicatrizes têm o poder de nos recordar que o passado foi real, mas é difícil dizer se aprendemos a lição. Também é difícil dizer qual foi o erro que cometemos para sermos punidos, e sim, sempre culpamos os outros por nossas ações, algumas pensadas e outras simplesmente realizadas. Mas não é difícil dizer –para si mesmo- quando está errado.
   É pelo medo que nos consome que não conseguimos impor a nossa culpa, mas é pela impunidade que realizamos tudo o que nos arrependemos. A impunidade é a mãe de todos os crimes, quando sabemos que não seremos punidos, realizamos ações que temos a clareza que serão ruins.
   Quando atestamos a inocência, na maioria das vezes, é porque temos medo de ser punidos. Vemos a violência sendo praticada em todo o lugar e a razão para tudo isso nunca foi muito bem desenvolvida em uma tese. Então eu vou dizer: a violência é sempre praticada quando pensamos que tudo ficará no escuro, não temos medo de machucar o outro, pois o que ele pode fazer? Tudo o que é praticado aos olhos dos outros é apenas esquecido pelos espectadores, ninguém quer ser testemunha, correr riscos. É por isso que a violência cresce cada vez mais, ninguém tem mais a coragem de denunciar, e eu posso dizer que nem eu; quantas vezes fiquei com medo de acontecer alguma coisa comigo ou com a minha família. Prezamos o nosso bem estar -e em um ângulo isto está certo-, mas o bem estar do outro que está sendo violentado está reprimindo-se.
   Restam-se pegadas estranhas nas ruas, sapatos vazios e a sombra do medo, o grito que escoa pelos becos e fazem todos fecharem os seus olhos. Temos medo de dizer: isso não acontece só com o outro, você pode morrer! E não escondemos a palavra que tanto nos aterroriza: “morrer”. Os mais corajosos, que não tem medo da morte, quando se vêem face a face com ela, rendem-se.
   Não pensamos quantos sapatos vazios foram deixados pelas ruas da impunidade, quantas sombras ainda vagarão por este mundo cometendo atrocidades com almas inocentes, e outra culpadas. Não deveríamos desejar o mal a ninguém, não deveríamos sentir a vingança correndo pelos nossos pulsos, não deveríamos ter seguido o conselho da cobra para comer a fruta proibida.
   Nossos erros vêm de muito longe, e pensamos que eles não podem ser concertados, e estamos certos. As almas que foram tomadas não podem voltar aos seus corpos, as lágrimas derramadas pelas famílias não podem retroceder. Nós temos escolhas, e aqueles que acreditam no contrário estão escolhendo, possuímos a escolha de não escolher, a escolha de ignorar, a escolha de seguir em frente e a escolha de mudar. Enfim, depois de todas as ruas estarem limpas com a chuva que caiu, eu pergunto: qual é a sua escolha?
--


Pauta para Palavras Mil, edição. Tema: imagem.
Pauta para OUAT, edição. Tema: frase em negrito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Somos todos iguais, mas ainda não sabemos


   Eu observo as pessoas, seus pensamentos embaralhados e as suas visões sobre o mundo. Pessoas alegres, outras apressadas, algumas apaixonadas, mas as que realmente me intrigam são as silenciosas. Os pensamentos que se pode ter no silêncio são exóticos, e muitas vezes simpáticos para quem os pensa. Diante de todo o silêncio, pergunto-me se ainda posso observar as pessoas e escrever sobre elas. O mais interessante na escrita é quando escrevemos sobre algo que gostamos; se eu estou totalmente entretida nos pensamentos de um silencioso, como posso escrever sobre ele?
   O silêncio não quebra a alma, ele fortalece as expectativas de realizar uma meta. O silêncio se destaca entre os outros e a pureza da mente atrai olhares, mesmo que os pensamentos não possam ser decodificados. Um dia, perguntei a um silencioso como é viver assim.Ele me olhou e não respondeu, retornei a perguntar e, calmamente, ele me falou:
   -Eu experimento de tudo.
   Questionei-me sobre a sua resposta, um tanto esquisita. Ele piscou e retornou a falar:
   -Pessoas eufóricas não experimentam de tudo, pessoas alegres não sabem o que é dor, pessoas tristes vivem no seu próprio mundo. É no silêncio que eu penso.
   -Então, se é isso, não seria melhor que todos nós vivêssemos no silêncio?
   -Não. Eu vivo no silêncio, e é por isso que sou procurado. Se todos fossem silenciosos, o mundo seria homogêneo. As pessoas não se questionariam e todos seriam irrelevantes aos outros. Como as pessoas são diferentes e pensam de uma forma totalmente desigual, eu posso guardar os meus pensamentos elaborados para mim, e os dividir quando alguém diferente vir se questionar sobre os variados modos de pensar. Não sou egoísta, como pode ver, mas devemos sempre repensar antes de agir e falar. Passo grande parte do meu tempo pensando, não por ser introvertido, mas porque eu necessito disto. Para mim, se encontrarmos pelo menos uma resposta para a pergunta que tanto nos atormenta, seríamos pessoas melhores. Como hoje em dia as pessoas não estão dispostas a sacrificar momentos do seu dia para pensar, elas não são tão interessantes para observar quanto eu. Você se pergunta por que eu vivo no silêncio, mas eu não sou assim sempre. Eu tenho uma família e amigos, eu só separo uma parte do meu dia para refletir, e é neste momento em que você me observa. Lembra-se da sua pergunta: por que eu observo as pessoas? Você as observa porque precisa. É instintivo, é da sua natureza querer explorar o outro para melhor se conhecer. É assim que você se define, minha cara colega; quando se conhecem as pessoas, você passa a se conhecer; não por comparação, mas por apenas saber refletir sobre o que você realmente procura. Você sabe o que procura?
   Então ficamos em silêncio, um olhando para o outro. Eu realmente não sabia o que procurava, eu me isolava nos pensamentos de estranhos e nunca tive tempo para os meus. Passei tanto tempo da minha vida pensando nos outros, as suas visões sobre mim e a razão dos altos e baixos com as pessoas. Nunca tive muito tempo para olhar no espelho e ver quem realmente eu sou, e depois de tanto tempo não consigo mais me identificar. Eu sou o que os outros querem que eu seja. Não mais.

--

Olá galere! Eu sumi por uns tempos, eu sei, estava mudando de casa e sem inspiração para escrever. Como estava sem computador, tive que escrever meus textos a mão, por isso demorou um pouquinho, pois sou muito lerda para passar do caderno para o computador. Mas aí está um texto novinho em folha! E sejam bem-vindos de volta ao Writeland!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Eu só quero chocolate...


...só quero chocolate, não adianta vir com guaraná pra mim, é chocolate que eu quero beber. (Marisa Monte-Chocolate)

Foto para Bloínquês, 14ª edição fotográfica. Tema: Guloseimas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Arthur Hastings

Londres, 12 de junho de 1986.

            Querido Hastings,

   Desde que nos encontramos no trem em direção a Londres, não me esqueço do seu rosto. Pálido, meio assustado eu sei, mas muito expressivo quanto a minha atitude naquele momento. As palavras que soltei ao vento pela janela do trem no banco ao seu lado foram apenas para chamar sua atenção; e eu a consegui.
   A noite que passamos juntos, depois o vinho branco chileno e suas histórias como detetive me fascinara. Ainda me recordo de seus lábios, movendo-se com extrema rapidez e delicadeza, com as palavras bem colocadas sobre um assassinato no campo de golfe.
   Nossos beijos bem dados entre os goles do vinho são inesquecíveis. Todas as vezes que passo a mão sobre a minha coxa, alvo de mordidas escandalosas, sinto um fervor prazeroso. Estou escrevendo sobre essas linhas com a mão trêmula só de pensar em você. Não imagina o estrago que me causou ao convidar-me para uma noite.
   Eu penso se você ainda se recorda de mim. Penso se você rola na cama a pensar nos movimentos sensuais que fizemos no chão do quarto, o vinho derramado no tapete e os gritos alarmantes que ecoavam pelas paredes. Você me possuiu como ninguém.
   Querido, se você recebeu esta carta, escreva-me. Conte-me mais sobre os seus curiosos casos de detetive, suas jornadas em busca de pistas e as sensações captadas durante suas viagens. Eu quero ser informada sobre tudo, desejo ser entretida com fatos reveladores vindos de você.
   Desejo profundamente sua presença. Meus pensamentos não seguem mais uma diretriz, eles só querem você. Desejo seu calor, suas mãos, seus lábios percorrendo cada linha do meu corpo.
   Meu amor, eu te espero. Não necessito de nada além de você. Quero o teu amor, quero você comigo e todos os momentos que passamos juntos. Estou agora de olhos fechados, sentido o seu beijo de despedida ao me deixar partir naquele trem. Eu sei que aquela não foi a nossa última vez. Por favor, responda a minha carta, eu te imploro.

                                                   Beijos carinhosos,
                                                                        Cinderela.



Pauta para Bloínquês, 3ª edição. Tema: Sedução.

Lulu e as flores do meu jardim




Fotografia para Bloínquês, 13ª edição fotográfica. Tema: Flores
Fotografia para OPEP, edição câmera em ação. Tema:Animais de estimação.


VOTE AQUI!

domingo, 18 de julho de 2010

Meu coração é o mesmo

   Os tempos mudaram, principalmente para mim. Em alguns dias eu mudarei de casa, mobilharei o meu quarto e deixarei lembranças para trás. Talvez, essa transição, me transforme em uma pessoa melhor do que eu sou agora.
   É difícil se desfazer de objetos antigos com valores muito significativos, sair da casa onde morei meus catorze anos vividos. É difícil dizer adeus para a visão do meu quarto e o vento que sempre me deu inspiração.
   Eu quero chorar, eu não quero me despedir do meu passado assim, eu quero continuar onde estou. Posso ter ares de mudança, parecer que sou uma pessoa que adora coisas novas; mas todos nós tememos o que não conhecemos.
   O meu maior medo não é o de ir embora, é que eu perca a minha sensibilidade de escrita. A minha casa sempre foi o meu refúgio, onde eu tinha inspiração e que minhas melhores ideias eram aperfeiçoadas.
   Talvez eu chore em algumas noites, mas eu sei que é tempo de recomeçar, de refazer e reavaliar. Quando o meu coração já estiver na metade do caminho eu vou me lembrar de tudo o que passei na minha casa. Então eu virei a ela para respirar o vento da minha inspiração e lembrarei: as coisas mudam, e não é só porque elas mudaram que você tem que ser diferente.




Pauta para Bloínquês, 25ª edição. Tema: Frase em negrito.