domingo, 29 de abril de 2012

Deixe-me clarear

          Como facas as palavras me ferem, ou pior, a ausência delas. Tenho medo de nunca ser boa o suficiente, inteligente o suficiente, carinhosa o suficiente, feliz o suficiente. As pessoas tendem a achar que estou feliz o tempo todo, pelo simples motivo de estar sorrindo as sete horas da manhã em plena segunda-feira. Se elas soubessem o quanto dói sorrir demais, o quanto dói ser assim, gostaria que elas vissem o que sou, mas se isso acontecesse elas nunca mais olhariam para mim. Sou triste, sou obscura, sou a solidão em pedaços de carne e alma. Pelo menos por enquanto.
          E quando estou feliz é como se ofuscasse os outros, ofuscasse até a mim mesma e toda a escuridão que carrego. As pessoas sentem inveja, até ciúmes. E eu volto a ser a mesma.
          É tão difícil arrancar palavras bonitas dos outros, eu me esforço tanto para isso, e no final são apenas sorrisos falsos. Querem falsidade em cada olhar? Olhem-se no espelho. Faço isso todos os dias e vejo alguém que não sou. Não seja por isso, se a água pode se tornar vinho, posso voltar a ser límpida novamente.
          Como facas as palavras me ferem, ou pior, a ausência delas. Não terei mais medo disso, se vierem com facas, já estarei com a arma: eu mesma.

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Desculpem-me por não ter postado antes, tive um mês muito conturbado, algumas decepções, algumas alegrias, vai melhorar...

1 opiniões:

Lídia Monteiro disse...

É tão ruim se tornar prisioneiro da própria prisão. Isso acaba acontecendo com quem manipula as palavras... As pessoas se acostumaram a demonstrar apenas que são fortes, felizes e continuam a mostrar mesmo quando não estão, uma pena...

www.nadadeperfeicao.com

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