Eles me chamam de desastre, porque eu abalo tudo. Abalo terras, corações, sorrisos, multidões. É a simples arte de se ter presença e fazer um bom uso dela. Eis que para eles não é assim. Sou mais um terremoto do que uma chuva de verão.
Triste são aqueles que só chovem, não abalam. Estes não trincam chãos, não pulam dos abismos por receio do fundo, não trocam olhares por medo do inseguro. Eu tenho pena deles, não tenham pena de mim.
Eu sou o desastre natural que veio te por no eixo. Às vezes é necessário um empurrão, um sorriso, uma mão.
sexta-feira, 29 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
Ousada escuridão
É uma
mistura de admiração e pavor, e eu tenho dito a mim mesma que não tomarei desta
bebida. Eis que você me entorna e me consome, e juntando todos os nossos
fluidos eu sei que isso vai dar uma baita mutação.
Alguém
me disse que os mais fortes sobrevivem, e que a genética muda para nos adaptarmos
ao nosso meio. É por isso que nos misturamos, modificamo-nos? Para eu caber no
seu meio e você no meu?
E
dentro da água, nesta imensidão eu vejo você. Eu vejo os seus olhos, essa
mistura de admiração e pavor. É uma mistura escura, e é isso o que significa o
seu nome. Escuro. E eu vou caindo nesta escuridão, nesta mutação, neste meio.
Chame
do que quiser, chame do que for mais propicio. Porque alguém, um dia, disse-me
que desenhar acalma, e desde então eu tenho desenhado o futuro. Essa mistura
louca de eu e você, que eu tanto quero e tanto adio.
Vai ver
que gritar ou agarrar um braço só pra sentir a presença seja algo comum, só pra
chamar um nome e ouvir o seu de volta. Isso não é bom? Alguém saber o seu nome,
e mais do que isso, gostar de dizê-lo.
E eu
vou juntando nossas águas e nossas lágrimas, pra ver se nesta imensidão de mar
o único nome que ecoa são os nossos.

quinta-feira, 7 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Pinhos de cristais
Eu vejo
pinheiros cobertos de neve no meio do outono, e acho isso tão bonito. É uma
singularidade que aqui nunca tenha essa diversidade de estações. Todas são brancas,
todas são de flocos, todas são geladas. E as borboletas nunca pousam por aqui,
e volte e meia eu vejo uma raposa se camuflando atrás dos pinheiros.
Não me
pergunte o nome da minha cidade, é muito particular assim como as lagoas
congeladas no meio da floresta. São poucas as coisas atraentes aqui, os
pinheiros chamam atenção por serem altos, imponentes. Há pequenas lagoas
espalhadas pela floresta, que eu costumo chamar de minha. Aí está uma boa
história, quando eu caí em uma delas.
Correndo
de não sei o que, com medo nos olhos e marcas de galhos nos meus braços eu
deslizei e quebrei o gelo. Caí. Afundei. Congelei por um instante. Meus
sentidos foram todos absorvidos e desviados para um só pensamento: a morte. Uma
morte gélida, branca, escondida. Não movia os braços, as pernas, apenas descia
até encontrar um chão. Eu nunca encontrei este chão.
Encontrei
pinheiros, uma floresta deles, pontas altas cobertas de neve. Encontrei olhos
castanhos, buracos negros de pinheiros que não me sugaram a vida, mas a devolveram.
E eu não pude gritar, não tinha mais voz, e ele só me calou com as mãos
quentes, me abraçou e levou-me para casa.
As
borboletas nunca pousam por aqui, mas aqueles olhos negros sempre passam pela
minha casa, para ver se eu estou bem, para ver se eu não abro outro buraco no
gelo. Para ver se eu não abro outro buraco no tempo que fez daquele dia de
inverno um dia de verão. Talvez eu só veja pinheiros durante toda a minha vida,
talvez eu só veja o branco da neve, mas sentir, eu sempre sinto.
Eu sempre
sentirei o calor das mãos, o frio da água, o medo da morte. Eu sempre sentirei
algo me puxando para fora, para fora do frio e da angústia. São muitos dias de
inverno, são pinheiros muitos altos para escalar, são pessoas muito distantes
para gritar. Mas um dia tudo vem, tudo puxa, tudo muda. É como um buraco negro,
que tudo suga.
Só que
no meu caso, ele devolve.

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