terça-feira, 20 de abril de 2010

Ilusões


   A chuva batia contra a janela sendo carregada pelo vento; as gotas escorriam e não havia nada mais interessante do que apostar corrida de gotas na pior festa do pijama que já ocorreu na história.
   A única pessoa com quem eu podia contar foi que veio, claro que ela não tinha nada o que fazer em casa e por isso chegou três horas antes, mas isso não justifica apenas ela ter vindo, todas me deixaram na mão.
   Procurei sobre as estantes alguns filmes que pudéssemos ver, pois a chuva não ia parar para Allison voltar para casa. Abri o armário em baixo da televisão e dei de cara com uma coisa que eu não esperava encontrar tão cedo: meu ursinho de pelúcia.
   Muitas lembranças estavam escondidas naquele ursinho, me virei para Allison, revistando os cômodos pertos demais da sala, e rezando para que a escada rangesse se algo se apoiasse nela.
   -Allison?
   -Sim, Catherine?
   -Eu tenho algo que quero te contar, mas você tem que prometer nunca contar a ninguém.
   -Eu prometo.
   -Jura pela sua vida?
   -Eu juro pela minha vida.

   Rasguei o pequeno velcro do ursinho e tirei um pequeno livrinho que havia ali dentro. Abri, procurando pela página que tanto queria arrancar, mas não tinha coragem, mostrei-a ela. Arregalando os olhos e lendo pausadamente recitou:
   - “Aonde você for eu estarei com você, pois eu sempre te amei e sempre te amarei, aonde quer que você esteja meu amor nunca diminuirá”.– Deu uma pausa e fitou-me com uma expressão de tristeza misturada com medo e angústia. – Quem escreveu isso? – Apontei para o final da folha, onde se leu. – “Henrique Reynolds”.
   Ela piscou duas vezes enquanto as lágrimas caiam sobre o rosto, perguntei o que se passava e ela ignorou, mas cedeu.
   -Ele era o meu namorado.
   -Como assim? Eu sabia que ele namorava todas, mas não você, eu te mostrei isso, pois eu fui à única pessoa para quem ele disse que amava.
   Ela abriu a bolsa de roupas e remexeu-a totalmente, jogando roupas para os ares e pegando a carteira; abriu o fecho e me mostrou um recado que dizia a mesma coisa.
   -Ele escreveu isso para todas as namoradas dele? – Allison fez que sim com a cabeça. Comecei a chorar no instante.
   -Eu não te culpo se achou que ele te amava.
   -Foi a minha primeira carta de amor, na verdade um bilhetinho que significava tanto, e agora, não faz a mínima diferença, eu podia passar a minha vida inteira sem saber disso, mas agora que meu coração esta despedaçado nada me resta do que jogar fora às lembranças.
   Levantei-me indo a direção ao meu quarto, mas pude ver de relance que Allison guardava o seu e o meu bilhete, talvez fosse para lembrar como ele era um idiota, ou como ele fazia-nos apaixonar tão facilmente; ou até para lembrar que contos de fadas não existem.

Pauta para Bloínques, 13ª edição musical. Tema: Em itálico.

2 opiniões:

Thayná disse...

A pior coisa que existe e um homem dizer que nos ama e depois sumir, ou dizer que apenas se confundiu.
Muito lindo teu texto, me identifiquei muito com ele. beijos e continue assim ;*

Thatha disse...

Ok...que doooo que eu fiquei no final do texto...odeio quando meninos fazer isso com o nosso coração

Não seja um leitor silencioso. Comente!