quinta-feira, 22 de abril de 2010

O inteiro despedaçado, novamente.


   Assim como as estações, as pessoas têm a habilidade de mudar. Pode demorar anos, ou alguns minutos. Um beijo, uma briga, uma fofoca ou um rompimento pode ser a porta para um novo começo. Assim como as estações não vêm nos momentos esperados, as nossas vidas estão sempre mudando, talvez para melhor ou pior, nunca se sabe quando uma nevasca vai impedir a visão do sol.
   Há momentos que não podemos adiar, mesmo fugindo da situação ela nos persegue para qualquer lugar. Olhares matadores e dúvidas angustiosas me atingiram no dia do casamento de minha irmã. Ed estava lá para estragar tudo novamente, aproximou-se com o seu olhar fuzilador e disse algumas palavras:
   -Você acha que conseguiria fugir de mim para sempre. – Seu hálito era como uma droga para mim, uma que eu precisava me livrar. – Você sabe que me ama, por que continua fugindo?
   -Você não é bom, tudo que sai de você me magoa, eu não quero mais nada que venha de você.
   -Você me quer, bem no fundo, você me quer.
   -Mesmo te querendo eu tenho que fazer o certo.
   Enquanto eu me virava para ir embora ele segurou as minhas mãos e inclinou um pouco a cabeça, vendo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
   -Eu te conheço melhor do que ninguém; e você nunca teria coragem de me deixar.
   -Você não sabe nada sobre mim, e se você me conhecesse de verdade saberia que nada me deixaria mais feliz do que te vê partir.
   Ele soltou as minhas mãos e fitou os próprios sapatos brancos.
   -Você quer que eu vá embora?
   -Quero.
   Com a cabeça erguida e os ombros para trás ele apertou as minhas mãos e soltou-as.
   -Então continue vivendo essa vidinha miserável que você tem, e que a sua irmã seja muito infeliz.
   Antes que ele se virasse, juntei toda a minha força e deixei a marca de minha mão na sua face. Ele se virou e antes que pudesse responder ao meu ataque os seguranças o puxaram para fora do casamento. Segurando na porta branca e arrancando uma rosa branca, jogou-a no chão e pisou.
   -Meu maior erro foi ter me apaixonado, pessoas emotivas não saem do lugar, e você nunca conseguiria me acompanhar. – Dando costas foi embora.

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Pauta para Bloínques, 13ª edição visual. Tema: A figura no texto.
Pauta para Bloínques, 12ª edição conto/história. Tema: A frase em itálico.
Pauta para Once Upon a time, 41ª edição. Tema: A frase em negrito.

9 opiniões:

Marcos Almeida disse...

Lindo post,belo conto as vezes é doloroso mas precisamos livrar-nos de coisas que nos magoam em nossa vida.

Camila. disse...

Gostei muito do post e do blog também. O layout é lindo! Tô fazendo uma promoção no meu blog e queria muito que você participasse!
www.menina-normal.blogspot.com
beijo e sucesso :D

Naty Araújo disse...

A sua história tá linda...
Boa sorte, Fernanda.

Ahh e obrigada pelo comentário.
Sei que matar o pai não é uma coisa muito, tipicamente, normal... Mas ela sentiu a dor da mãe e quis fazer a justiça com as próprias mãos. Errada, mas fez...

Beijos.

Jéh disse...

Ameeei o post *-----*
o blog é muito bom,e você escreve muito bem!
Da uma olhadinha no meu blog!

Jéssicα Pereirα disse...

Otimo, otimo, beeeeeeem melhor que o meu, com certeza!

Se eu estivesse julgando a ed. visual no BLQ essa semana certeza de que você ficaria entre os 3 primeiros *-----*

PS: to seguindo tb

Monique Premazzi disse...

Ficou muito bom! Amei o texto, muita sorte nos projetos *-* xx

Gii portiñon disse...

eu nao adorei eu ameii parabens linda.

Érica disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Erica Oliveira disse...

Uou,que história mara!
Ela está de parabéns pela coragem que teve, de dizer não à alguém que só fazia mal e de dar uma lição bem merecida no cafajeste em questão.
Gostei daqui!

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